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“O cão morde a noite”

“O cão morde a noite”

19/01/2021 19h59 Atualizada há 6 anos atrás
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“O cão morde a noite”

O meu querido amigo, EmilianoJosé, que já foi deputado estadual e federal do Partido dos Trabalhadores peloestado da Bahia, está lançando mais um livro. Este é mais um de uma lista de livros em sua vida como escritor. Ele é Jornalista de profissão e professor da Universidade Federal daBahia – UFBA. Trabalhou nos jornais Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, O Estadode São Paulo, O Globo, Alternativo Baiano Invasão. Colaborou nos JornaisOpinião e Movimento. É um dos fundadores do Jornal Em Tempo e nas revistasCaros Amigos, A Tarde e Carta Capital. O cabra é muito respeitado no meiojornalístico.

Pois, após lançar o livro “Lamarca,o capitão da guerrilha no ano 1980 com o, também, jornalista, Oldack Miranda eque virou filme do diretor Sérgio Rezende, ele tomou gosto pelo formato da novaescrita e já está no seu decimo sétimo livro com “O cão morde a noite”.Antes, escreveu “Narciso no fundo das Galés” em 1990, “Marighella: inimigonúmero um da ditadura militar”, este no ano de 1997. “As asas invisíveis doPadre Renzo”. Este Traduzido para o italiano com o título de “Don Renzo Rossi:un prete fiorentino nelle carceri del Brasile” e que também virou filme.Escreveu cinco volumes de “Galeria F: lembranças do mar cinzento”. Sendo oúltimo destes contando a história da última clandestina em Paris e que, também,virou filme. Escrevei três volumes voltados ao tema jornalismo: Imprensa epoder, jornalismo de campanha e intervenção da imprensa na politica brasileira.Ainda teve a impressionante biografia do ex-governador Waldir Pires em seusdois volumes.

Agora com este novíssimolançamento, O cão morde a noite, mais uma vez o autor revisita suasmemorias. Emiliano fala de sua infância na Fazenda caxambu e da convivência queteve com seu pai, que era “uma espécie de gerente” no interior de São Paulo.Conta da sua paixão por cavalos e de como perdeu a chance de se tornar umjóquei quando, convidado para tal pelo proprietário das terras, mas o genitorpreferiu que ele continuasse a ajuda-lo nos afazeres. Como diz “poderia tersido um jóquei”, mas o pai não permitiu. Ele diz que “o Brasil perdeu um bom cavalariçoe não sabe se ganhou um bom escritor”.

No livro ele revisita os quatroanos em que foi torturado pelo regime militar. Fala como se quisesse dar umbasta nas memorias que teimam em permanecer e machucar. E diz que sualiteratura o fez se libertar do estilo jornalístico de escrever e enveredarneste formato pessoa de escritor onde cada livro traz um enredo já pronto para,caso um cineasta queira, usar como base principal do seu roteiro.

Emiliano diz que com os livros selibertou de alguma forma do formato de escrita do jornalismo, que é uma prisão,já que o profissional fica apegado aos fatos. Seria como uma armadura, já quenão pode “dizer isto, dizer aquilo”. No, O cão morde a noite, o escritorfala que soltou a subjetividade, da mesma forma que já teria feito no “a últimaclandestina em Paris”, que fala de Maria José Malheiros, a militante da AçãoPopular que viveu 40 anos com um nome falso.

Falando sobre o título do livro,Emiliano lembrou que ele vem de uma lembrança que ficou em sua mente. Pode seruma lembra, um episódio, pode até ter sido um sonho. O certo é que existe essaimagem existe e o acompanha. É um cachorro alto, fino, negro e bravo que mordeuma criança no rosto à noite. “Se me perguntarem o quê foi isso? Eu respondereique não sei!”. É só uma lembrança no imaginário do autor.

Como toda a narrativa no livrofala de sua infância, revisita as torturas que sofreu pela ditadura militar emarca este período tão doloroso em sua vida que terminou em 1974 quando saiu daprisão. A subjetividade do título O cão morde a noite, é livre para quecada leitor possa revisitar suas próprias memorias. E como bem lembra meu amigoEmiliano, o livro não é um mergulho intimista de sua própria história, éretrato de um tempo de ditadura, de violência que não diz respeito unicamente aele, mas também a várias companheiras e vários companheiros que sofreramtorturas e que viveram e vivem as suas dores.

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