As falas perifericamente residentes, resistentes e(re)existentes irão circular, através da gravação e disponibilização do álbum,por plataformas digitais.
“Do meu amor, do meu cabelo e da minha quebrada, você nãosabe nada”, assim a multifacetada artista Carine Narciso se apresenta nas redessociais, reivindicando a fala preta, a fala da rua, a fala que traz o povonegro, não só como lutador nato, mas como conhecedor de seus direitos,merecedor de oportunidades e criador do seu lugar de fala.
Cantora, compositora, atriz e poeta, Carine prepara seuprimeiro álbum “Laroyê nas quebrada”, com lançamento previsto para abril desteano, por meio de uma live artística que reunirá bate papo, poesia,interpretação e música.
Dona de uma voz potente e capaz de imprimir suapersonalidade e seus ideais nas composições e trabalhos, Carine Narciso é umaartista que vem se preparando, aprimorando sua voz, sua interpretação comcursos especializados e diversos experimentos artísticos. Começou seu caminhono mundo artístico através do teatro, quando descobriu que o corpo tem voz.Nesse período, já cantava e já tinha composições musicais. Fez parte do “Jovensem Senna” (grupo residente da Escola Estadual Manoel Devoto em parceria com oSESI), logo após ingressou na Sitorne (Estúdio de Artes Cênicas), passou pelaDança Afro e pelo Hip Hop e o cursou Música Popular no Núcleo Fusart. Sempreesteve em contato com a cultura negra, seja ela na fala ou na expressãocorporal.
Cada uma das experiências trouxe ao canto de Carine umaconstrução de identidades, unindo a teoria musical e a prática da música a umabagagem bonita de dança, poesia e performance. Foi criadora (autora e atriz) dacena “Marias de quê?!”, que esteve em cartaz na Universidade Federal da Bahia,em 2019. Na cena, embalada por Reconvexo, cantou e gritou a dor da mulher negrae periférica. Durante a pandemia, viveu a periferia e pensou numa juventude quenão se vê em qualquer espelho, o que despertou a ideia de trazer apoesia/música falada. Assim, a “Preta Poesia” se fez projeto e ocupou oInstagram. Ali está seu corpo de mulher preta, lésbica, periférica,movimentando as redes e conectando a gente preta em tempos de isolamento esolidão.
Sobre a produção de seu primeiro álbum, a artista, que foifinalista do Slam Pandemia Poética 2020, diz que “Hoje, Laroyê nasquebrada,revela a força e a potência de Exu, que é Palavra, Voz, Movimento eAção. Assim como a encruzilhada, a quebrada representa, para "osoutros", medo e para nós, possibilidades. Laroyê nas quebrada traz a ruaviva,o amor que fala através das ruas. É a mensagem passada, é a históriacontada, é a janela atenta, é a quebrada que grita. Que grita gol e que gritador. Que denuncia o genocídio do povo preto. Que levanta a bandeira Queer. Quevive no corpo de uma mulher preta, lésbica, feminista e militante antirracistapor sobrevivência, pois nunca nos foi dado o direito seguro de respirar. Laroyênas quebrada é a vista limpa e o olho observador. É o mestre de cerimônia darua, é o que descreve com amor a quebrada e problematiza o que se faz umproblema. Laroyê nas quebrada é a voz preta que vos fala”.
A gravação do álbum de músicas inéditas de Carine Narcisotem o intuito de atingir diversos perfis, apreciadores de composições que falamde resistência, política e sociedade e também aqueles que ainda podem conhecera realidade relatada através das canções. O projeto valoriza a música, oteatro, a poesia, refletindo as muitas facetas da artista - oito cançõesautorais passarão pela criação de arranjos, gravação, mixagem e finalização,sob direção artística de Gil Ferreira. Laroyê das quebrada tem idealização erealização da Mais Dois Produtora e uma equipe majoritariamente feminina,priorizando o trabalho das mulheres na produção e criação.
No dia 31 de março, quarta-feira, o público poderá conferiro lançamento do álbum em uma live potente no canal do Youtube, às 20h30min. Oálbum ficará disponível nas plataformas digitais da artista.
Siga @carinenarciso e @maisdoisprodutora !
O projeto, que conta com apoio financeiro do Estado da Bahiaatravés da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia(Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela SecretariaEspecial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal, tem o objetivode contribuir com a disseminação da política e das discussões sociais, étnicase de gênero, através da música, destacando as demandas e a voz das ruas,contribuindo para dar maior visibilidade para as questões pertinentes a essarealidade.
Por: Fernanda Polonio.
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