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Bahia produz mais de 30% das frutas do país com liderança da região de Juazeiro na exportação de manga e uva

Bahia produz mais de 30% das frutas do país com liderança da região de Juazeiro na exportação de manga e uva

24/07/2021 01h00
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Bahia produz mais de 30% das frutas do país com liderança da região de Juazeiro na exportação de manga e uva



É na divisa entre os estados da Bahia e Pernambuco que estálocalizado o maior polo da fruticultura brasileira. A cidade baiana de Juazeiroconcentra boa parte dos produtores de frutas frescas entre os municípios queintegram o chamado Submédio São Francisco, responsável pela produção de manga euva que são exportadas, especialmente, para o mercado europeu e americano.Outras frutas também são produzidas nessa região, que faz parte do Vale do SãoFrancisco, a exemplo da banana, goiaba, coco, acerola, mamão, maracujá, entreoutras. Para que a fruticultura da região chegue cada vez mais longe, aassistência técnica tem sido fundamental na certificação da qualidade dosfrutos.

Os números que envolvem o setor impressionam pelo impacto naeconomia local por meio da geração de emprego e renda. Somente com a atividadeda fruticultura no Vale do São Francisco (compreendendo os estados da Bahia ePernambuco), é produzido um milhão de toneladas de frutas por ano. Ofaturamento registrado anualmente fica em torno de R$ 2 bilhões somente com aprodução de manga e uva, sendo que, deste valor, R$ 440 milhões são relativosaos frutos destinados à exportação.  Amanga segue sendo a principal fruta destinada ao mercado externo. O frutoproduzido na região atende entre 85 e 90% da demanda de exportação no país.

Quando o assunto é geração de empregos, os números tambémnão são modestos, já que na fruticultura do Submédio São Francisco são gerados250 mil empregos diretos e outros 950 mil indiretos. Ainda conforme informaçõesda Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados doVale do São Francisco (Valexport), nessa área atuam três mil produtores queexportaram mais de 243 mil toneladas de manga e 49 mil toneladas de uvas em2020. Esse contexto explica porque a Bahia ocupa o 2º lugar na produção defrutas frescas produzidas no país, de acordo com dados divulgados peloInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020.

Também segundo o IBGE, Juazeiro é o município baiano com amaior produção de frutas e com registro de mais R$ 589 milhões de faturamento,seguido por Casa Nova, que teve faturamento de cerca de R$ 300 milhões. E éjustamente a manga, a fruta responsável por impulsionar o crescimento dofaturamento nos dois municípios que integram o Vale do São Francisco.

A Secretaria de Agricultura do Estado (Seagri) destaca que aBahia possui mais de 664 mil hectares plantados de frutas, com produção de 3,2milhões de hectares por ano e responde por 31% da produção nacional no setor.“A região norte, especialmente Juazeiro, é muito importante para nós porque afruticultura, por meio da exportação de manga e uva, nos faz ser o estado com amaior exportação dessas duas frutas. O Governo do Estado tem fomentado odesenvolvimento dessa região e buscado por meio do Banco do Nordeste, Sebrae eoutras instituições financeiras, expandir a produção dos médios e pequenosprodutores", ressaltou o chefe de gabinete da Seagri, Alisson Gonçalves.


Distrito Irrigado de Maniçoba

Um dos projetos mais bem sucedidos da fruticultura baianapode ser encontrado no distrito de Maniçoba, localizado em Juazeiro. É lá queestá instalado o Distrito de Irrigação do Perímetro de Maniçoba (DIM),implantado há 34 anos e hoje conta com 9 mil hectares irrigados e 625produtores assentados. De acordo com dados fornecidos pela administração doDIM, sobrevivem da produção de culturas como a manga, a uva e outras frutasduas mil famílias. O grande potencial da região está nas águas do rio SãoFrancisco e nas condições climáticas, pois na região chove pouco, o quefavorece o cultivo dos frutos. No entorno do distrito irrigado cresceu oDistrito de Maniçoba, onde hoje vivem 18 mil pessoas que são impactadas pelaprodução.

Uma característica do DIM é que a maioria dos lotes sãoocupados por pequenos produtores que têm faturamento anual em torno de R$ 300mil. Já o faturamento total do distrito em 2020, incluindo todos os 625 lotes,foi de R$ 184 milhões. No local são gerados 9.914 empregos diretos e outros39.652 indiretos.  No distrito estãoplantados mais de cinco mil hectares de manga que correspondem a uma produçãode 90 mil toneladas da fruta por ano e 50% dessa produção é destinada àexportação.

Embora tenha sido implantado pela Companhia deDesenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o distritoirrigado funciona de forma quase autônoma, e um conselho fica responsável pelaadministração da área. O distrito irrigado hoje conta com 126 quilômetros decanais de irrigação com água captada do rio São Francisco e 150 quilômetros deestradas que têm sua manutenção realizada por esta administração própria.

“A geração de empregos é muito importante para a nossaregião e temos mais de nove mil empregos diretos somente na área agrícola doperímetro. É uma atividade significativa não só para o município e nossoestado, como para o país. O nosso investimento é voltado a melhorar a vida doprodutor e focamos também na assistência técnica para que os produtoresproduzam mais e gastem menos”, explicou o gerente executivo do DIM, ValterMatias.

 

Special Fruit

Outra história de sucesso na fruticultura de Juazeiro érepresentada pela empresa fundada e dirigida por uma família japonesa, aSpecial Fruit. A empresa conta com 800 hectares plantados de manga e uva. Porano, são processados 24 milhões de quilos de manga e destes, 22 milhões sãoembalados e 92% desse total destinado ao mercado europeu e americano. Já a uvaque é produzida em 200 hectares da propriedade corresponde ao total de 10milhões de quilos embalados por ano. Na propriedade está instalado um packinghouse no qual as frutas passam pelo processo de seleção, higienização eembalagem para que possam ser encaminhadas ao mercado interno e externo.

Na Special Fruit são gerados 1.500 empregos diretos e noperíodo de pico da safra, entre agosto e novembro, esse número pode chegar a2.300. A propriedade produz 18 variedades de uva e chegam a pagar royaltiespara que possam cultivar determinados tipos da fruta. A produção seguerigorosos protocolos de certificação tanto da uva quanto da manga para quepossam ser exportados, já que o mercado consumidor é bastante exigente.

O gerente de Packing House da empresa, Antônio Henrique,explica os processos que são adotados para atender a demanda de exportação. “Agente busca a especialização constante da nossa mão de obra por meio detreinamentos. Aqui temos processos de especificação de qualidade para que agente tenha auditorias que garantam o cumprimento das normas de exportaçãobrasileiras e de outros países. É um rigor muito grande na aplicação deagroquímicos, por exemplo”.

 

Assistência técnica

O segmento da fruticultura em Juazeiro e no Vale do SãoFrancisco como um todo tem parceiros importantes na área de assistência técnicapara que possam se manter na liderança da produção do setor no país. É nessecontexto que estão inseridos a Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adab),órgão vinculado à Seagri, e a organização social MoscaMed Brasil.

Em parceria com o Distrito de Irrigação do Perímetro deManiçoba e demais empresários da região, a exemplo da Special Fruit, a Adabatua no trabalho para fiscalizar o monitoramento da presença de moscas-da-frutana região. Esse monitoramento é realizado pela MoscaMed. “Cada área de produçãoprecisa ser avaliada e certificada pela Agência. O nosso papel é fiscalizar oandamento do trabalho da MoscaMed, bem como o produtor. Por exemplo, a genteorienta que os produtores não deixem frutas maduras no chão, o que podeimpactar no incremento da presença de moscas na área”, pontua o técnico daAdab, José Marques.

Já a organização social MoscaMed, instalada no DistritoIndustrial de Juazeiro, área pertencente ao Governo do Estado, monitora 11 milhectares plantados na região do Vale do São Francisco. A organização social éresponsável pela emissão de certificados que permitem entrada do produto nomercado estrangeiro. “Aqui realizamos o monitoramento da mosca das frutas etambém concedemos certificação. Por exemplo, o mercado americano exige essemonitoramento da mosca das frutas para exportação e nossa organização é quemfaz esse trabalho já que somos a única instituição credenciada. Paralelo aisso, atuamos em outros programas de certificação, como o da União Europeiapelo fato da MoscaMed já ter essa experiência em termo de monitoramento econtrole dessa praga. Os produtores optam pela terceirização desse serviço enos procuram justamente pela confiabilidade e credibilidade da instituição. Éum trabalho que agrega valor aos frutos produzidos na região”, esclareceFabrício Almeida, engenheiro agrônomo e responsável técnico da MoscaMed Brasil.

Foto: Elói Corrêa

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