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Mais de cinco mil mulheres rurais começam a utilizar as cadernetas agroecológicas

Mais de cinco mil mulheres rurais começam a utilizar as cadernetas agroecológicas

05/10/2021 09h19 Atualizada há 5 anos atrás
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Mais de cinco mil mulheres rurais começam a utilizar as cadernetas agroecológicas



Mais de cinco mil mulheres rurais agricultoras, assentadasde reforma agrária e de povos e comunidades tradicionais de toda a Bahia, estãorecebendo treinamento para a utilização da Caderneta Agroecológica. Aferramenta metodológica, que permite à agricultora fazer a gestão de tudo o queé produzido na propriedade familiar, a partir das anotações do que é vendido,trocado, doado e consumido.

As mulheres estão conhecendo esse instrumento pedagógico ematividades coletivas realizadas nas comunidades rurais atendidas, a exemplo daoficina realizada na comunidade do Engenho de São João em Cruz das Almas, nestasemana, pela equipe do Instituto de Desenvolvimento Social e Agrário doSemiárido (IDESA), prestadora de Ater, contratada para executar a chamadapública ATER Mulher, em comunidades rurais do Recôncavo Baiano, que teve aparticipação da coordenadora técnica da Bahiater, Carmem Miranda.

Carmem Miranda explica por que é importante levar essaferramenta a mais para agricultoras baianas: “O ATER Mulher vem para darvisibilidade ao trabalho das mulheres e a caderneta agroecológica é uminstrumento que vai possibilitar a ela saber a renda e o tanto de produto queela tem no quintal. A partir daí se dá visibilidade ao trabalho da mulher. Elacomeça a se ver enquanto agricultora, enquanto colaboradora, enquanto mulherque contribui na finança da casa, da família. Ela consegue ver o quanto ela produze a diversidade da produção, um elemento fundamental. A caderneta realmentecontribui para a auto-organização das mulheres, para a conquista da autonomia eeleva sua autoestima. Ela revoluciona a vida no campo, a vida das mulheres”.

A agricultora Rosa dos Santos, da comunidade Engenho de SãoJoão, é uma das beneficiárias do ATER Mulher. Ela destacou a importância doserviço de Ater e a ação das cadernetas: “Estamos trabalhando com a caderneta eantes a gente não anotava nada, passava em branco. Hoje estou muito feliz poressa conquista, para a partir de hoje anotar as nossas vendas, o nosso consumo,as doações e as trocas. A caderneta vai facilitar a autonomia e a nossaautoestima”.

Lidiane Braga, coordenadora do projeto ATER Mulher noRecôncavo pelo IDESA, observa que a oficina é o momento de apresentar àsagricultoras essa ferramenta: “Irá possibilitar a elas organizarem e fazerem olevantamento de toda a sua produção e toda a renda que é gerada na unidadeprodutiva familiar e é uma ferramenta de empoderamento feminino”.


Caderneta Agroecológica 

A ferramenta começou a ser adotada, em 2019, peloPró-Semiárido, projeto do Governo do Estado executado pela Companhia deDesenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR). A ação já apresenta resultadoseconômicos e refletiu o processo de aplicação das Cadernetas Agroecológicasjunto a 374 agricultoras envolvidas no Pró-Semiárido. Dentre os dados expostos,está o valor da produção gerado por elas, que ultrapassou R$1,2 milhão em umano de anotações.

A Caderneta Agroecológica foi concebida, em 2011, peloCentro de Tecnologias Alternativas na região de Zona da Mata em Minas Gerais(CTA/ZM), em interlocução com o Grupo de Trabalho Mulheres da ArticulaçãoNacional de Agroecologia - (GT/ANA). O Programa de Formação em Feminismo eAgroecologia (CTA), em 2013, foi o primeiro a utilizar a metodologia dasCadernetas. Logo após, também em 2013 e em 2015, o GT da ANA aplicou esseinstrumento dentro de um programa de formação, cuja temática principal foi“Feminismo e Agroecologia”, financiado pela União Europeia e levado a todas asregiões do país. 

Foto do IDESA.

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