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Comunidade quilombola de Monte Santo evolui na caprinocultura de leite com o apoio da CAR

Comunidade quilombola de Monte Santo evolui na caprinocultura de leite com o apoio da CAR

15/03/2023 11h13 Atualizada há 3 anos atrás
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Comunidade quilombola de Monte Santo evolui na caprinocultura de leite com o apoio da CAR

A caprinocultura de leite é uma atividade tradicional daagricultura familiar no Semiárido baiano. Com o apoio do Governo do Estado, pormeio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), a atividade crescecada vez mais na região, a partir da oferta de serviços de assistência técnicae extensão rural (ATER) qualificada, que leva novos conhecimentos paraagricultores e agricultoras familiares. Também foram aplicados recursos naaquisição de insumos e equipamentos apropriados. Só por meio do projeto da CAR,Bahia Produtiva, já foram investidos quase R$ 68 milhões naovinocaprinocultura.

Um desses exemplos é o da Associação dos Produtores Ruraisdo Quilombo Remanescente Lage do Antônio, do município de Monte Santo. Nolocal, 45 famílias foram beneficiadas com apriscos, novos equipamentos e 225cabras de leite, que trazem perspectivas positivas para a comunidade com apossibilidade de geração de renda por meio da comercialização do leite.

"Antes, a gente só trabalhava com animais de corte eagora com esse projeto de cabra de leite, a expectativa é melhorar a renda dasfamílias. Com a assistência técnica, a gente já aprendeu sobre como manejar acabra de leite e como aproveitar uma diversidade de plantas da Caatinga parausar na ração concentrada. Agora, é iniciar com uma boa produção e tocar oprojeto para frente", comemora o agricultor Adenilson Peixinho.

Cada família agricultora recebeu da CAR um kit completo demanejo com itens como cocho, baldes, iodo, mangueira e papel toalha, um apriscorústico, cinco matrizes cada e nove máquinas forrageiras entregues, para usocoletivo. Tudo isso para fortalecer a caprinocultura de leite durante todo oano.

"Se cada matriz der um litro de leite por dia, já são225 litros de leite que vamos colocar no tanque de resfriamento para entregar.Isso já significa que vai entrar dinheiro para o povoado e vai gerar renda atépara quem não tem cabra porque o dinheiro vai circular em toda acomunidade", enfatizou o agricultor Damião Araújo.

Toda essa dinâmica em volta do leite de cabra tem como umdos pontos de atenção a importância da reserva alimentar para a época de seca,como lembra a agricultora Marlene da Silva. "Com o acompanhamento técnico,nós reduzimos o custo da ração porque passamos a plantar em nosso próprioquintal e a utilizar as plantas da Caatinga na ração. Foi muito bom tambémporque aprendi a manejar a terra, a preparar adubo orgânico e a fazer oreaproveitamento da água".

No total, a comunidade quilombola recebeu quase R$ 650 milreais em investimentos por meio do projeto da CAR, Bahia Produtiva, que ofertaàs famílias do quilombo, por meio da Associação Regional dos Grupos Solidáriosde Geração de Renda (Aresol), o serviço de assistência técnica e extensão rural(ATER).


Comercialização

Todos os esforços empreendidos pela comunidade de Lage doAntônio na caprinocultura de leite já têm um destino certo: o laticínio, emconstrução no município de Monte Santo, também com o apoio do Governo doEstado. A previsão é que a unidade de beneficiamento de leite, que está sob agestão da Cooperativa Regional de Agricultores Familiares e Extrativistas daEconomia Popular e Solidária (Coopersabor), comece a operar no segundo semestrede 2023 com a produção de queijos, iogurtes e manteiga, inclusive com apossibilidade de utilização do leite de vaca.

A obra do laticínio tem investimento da ordem de R$ 2,6milhões. O equipamento vai atender mais de 15 comunidades que atuam nacaprinocultura de leite. "Esse laticínio será importante porque essa é umaregião propícia em relação à criação de animais com aptidão leiteira e aexpectativa é que a agroindústria, que tem capacidade de três mil litros pordia, possa escoar essa grande produção que temos aqui. O laticínio vai gerarrenda para uma média de 400 famílias envolvidas, não só de Monte Santo, mas deoutros municípios como Cansanção", explicou o presidente da Coopersabor,Charles Conceição.

A presidente da Associação de Lage do Antônio, MarizaAraújo, celebra o novo momento da região. "O meu sonho é ver o carrochegar lá na comunidade para buscar o leite no tanque [de resfriamento]. Essa éa primeira indústria dessa forma em Monte Santo e estamos felizes com essesonho que será realizado!".

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