Desconstrução de estereótipos - A abertura da Semana contoucom a participação de representantes dos povos Kaimbé, Kiriri, Pataxó,Tupinambá e Huni Kuin. A estudante Melrilly Kaimbé, 18 anos, compartilhou com acomunidade escolar as vivências de seu grupo, situado no município de Euclidesda Cunha, no norte da Bahia. “O encontro é importante, porque conseguimosdesconstruir alguns pensamentos que as pessoas têm sobre a gente, mostrar quemsomos, onde estamos e o que queremos”, avalia a jovem.
Estudante do 1º ano, Luan Santana afirma que o projetotrouxe uma nova visão sobre os indígenas. “Estamos conhecendo a verdadeirahistória deles, as mudanças que aconteceram ao longo do tempo e o movimento deluta”, explica. “Cada povo fala uma coisa diferente e vamos aprendendo um poucosobre a cultura deles”, completa a aluna do 2º ano Maria Luísa Freitas.
O coordenador executivo de Políticas para os Povos Indígenasda Sepromi, Jerry Matalawê, destaca que a Bahia tem, pelo menos, trinta povosindígenas, todos eles com características específicas. “São grupos que exercemsua indianidade de maneira muito particular e precisam ter a garantia dedireitos, como acesso à terra, manutenção de sua memória e identidade, educaçãomulticultural, saúde de qualidade. A nossa presença nas escolas é umaoportunidade para que as pessoas possam visualizar melhor essas questões eesclarecer dúvidas”, acrescenta.
Educação para a diversidade – A Semana Cultural Indígena nasEscolas também integra os esforços da Sepromi e da SEC para garantir ocumprimento da Lei nº 11.645/2008, que tornou obrigatório o estudo da históriae cultura indígena e afro-brasileira na educação básica. “O projeto levainformação qualificada para os estudantes em torno do ser indígena. Além disso,também consolida a política do Governo do Estado de aproximar, ainda mais, apopulação em geral da realidade dos povos originários da Bahia”, ressalta ocoordenador estadual de Educação Escolar Indígena, Niotxarú Pataxó.
Professor de História do Colégio Estadual Edvaldo BrandãoCorreia, Adriano Bezerra defende que o projeto atualiza a visão da comunidadeescolar sobre os povos originários. “O aluno percebe que os indígenas estãolutando pelos seus direitos, avançando e ocupando diversos espaços nasociedade. É uma atividade que mostra uma pluralidade que, na maioria dasvezes, não está presente no material didático e possibilita que os alunostenham acesso à visão do oprimido e não do opressor”.
Já a professora de Língua Inglesa, Juci Silva, conta que aunidade escolar tem um compromisso com a luta antirracista e com a valorizaçãoda diversidade. “Receber a visita hoje de diversos povos indígenas, comcerteza, é uma oportunidade de construção de futuro, de novas possibilidades devivenciar o Brasil real, de aprender para respeitar, preservar e construir umasociedade menos desigual”, sintetiza.
A Semana Cultural Indígena nas Escolas é parte dascomemorações do Abril Indígena do Governo do Estado. Além do projeto, haveráFeira de Artesanato, competições esportivas, campanha publicitária, entreoutras atividades.
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