
Os últimos acontecimentos relacionados aos atos violentosnas escolas, no mínimo, geraram pânico e muito medo na comunidade acadêmica,nas famílias, nos alunos e na população em geral. Não tem sido fácil lidar comas notícias e com a insegurança.
O pouco de comentários e informações que as crianças e osjovens estão consumindo sobre os fatos, já são suficientes para que se sintamperdidos e amedrontados em meio a toda a repercussão dessa tragédia. O quefazer para auxilia-los diante de sentimentos tão desconfortáveis?
Possuem a consciência real e o reconhecimento de outrascrianças. Afinal, as crianças são vulneráveis, precisam de proteção, seapavoram com o desamparo e a ameaça.
Assim como os adultos, as crianças podem sofrer de ansiedadee desequilíbrios emocionais por se depararem com situações traumáticas comoessa. Tanto que, muitos relatos já dão conta de que algumas crianças e jovens,assustados com os ataques, entram em crise de choro só de pensar em ir para aescola.
Muitos estão questionando os pais sobre o que devem fazer seentrar alguém na escola para matá-los. Outros, começaram a pensar planos parase defender. As crianças estão sofrendo, principalmente, por
perceberem o medo e a ansiedade os pais.
Portanto, precisamos ser responsáveis pela saúde mental denossas crianças e protegê-los de qualquer dano emocional.
Algumas famílias entendem que conversar com as crianças podetraumatizar ainda mais. No entanto, elas estão em um mundo em que elas sãoexpostas de maneira visceral a tudo o que acontece. Neste sentido, o diálogo éfundamental.
Os pais precisam superar a perspectiva ingênua de acreditarque a violência na escola é algo relativo ao ambiente escolar. Observar e estaratento aos sinais de apreensão e medo que a criança passa a emitir, tambémajuda a dosar a conversa. O acolhimento se faz necessário para que possaescutar os medos e as impressões.
A partir dessa escuta, os adultos podem, de alguma maneira,contribuir para uma ampliação da compreensão da criança sobre aquilo queocorreu, respeitando a idade e compreensão cognitiva de cada uma. Se colocar àdisposição para responder as perguntas delas também é importante. É fundamentalque os adultos não neguem às crianças a possibilidade de sentir e se emocionar.É preciso que as famílias estejam dispostas para essa conversa, sem gerarpânico nos filhos, evitando dar exemplos com riqueza de detalhes macabros paranão alarmar e apavorar ainda mais.
Portanto, esses episódios desequilibram e chocam a todos.Porém, precisamos não elevar a fobia e alimentar o terror que as Fake Newspropagam. Ou seja, se a criança verbalizar o medo, acolha-a dando atenção aoque está comunicando a você e fazendo perguntas a respeito do que ela sabe.
Ofereça um colo. Mostre que ela não está sozinha em momentoalgum. Procure estabelecer um diálogo muito claro, transparente e seguro etransmita segurança nesse momento. O importante é que seu filho compreenda oque é real e o que é fantasia.
Além disso, estar alinhado com as políticas de segurança daescola e demonstrar isso ao seu filho, também facilita a construir a sensaçãode acolhimento e proteção que a criança e o jovem buscam neste momento triste etraumatizante para todos.
Por: Dra. Andrea Ladislau / Psicanalista.
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