Esta guerra é tudo isso, mas não é apenas isso,pois é principalmente o vestibular de um trânsito de eras (e eis a questãocentral), o que é percebido pela diplomacia brasileira restaurada. Vivemos o perigoso desdobramento da disputa da hegemonia planetária exercidapelos EUA, em franco embate com a emergência chinesa como potência econômica emilitar em pleno desenvolvimento capitalista, pondo em questão o sonho americano da unipolaridade que lhe caíra no colo com o suicídio da URSS anunciado no apagardas luzes de 1991. A guerra comercial etecnológica contra Beijing, aprofundada a partir de Trump, teve sua naturezaalterada ao se expressar em conflitoarmado, ainda quando, como é o casopresente, os principais contendores estejam aparentemente fora da arena, poisainda lutam por intermédio de terceiros. Uma vez mais, lembrando Clausewitz, aguerra (clássica) é mera continuação dapolítica, no caso concreto uma trágica necessidade determinada pelo fracasso político da guerra diplomática, comercial e tecnológica liderada pelos EUA na até aqui frustradaexpectativa de conter o novo “eixo do mal”: a frente eurasiana levada à China, à Rússia e ao Irã pelas contingências históricas. O conflito em curso, em sua modalidade militar, consiste numaguerra terceirizada, que pode ser apenas um “freio de arrumação”, um teste de forças antes da perspectiva de umembate maior, que o andar da carruagempode fazer inevitável. Mas igualmentepode ser seu prelúdio, e neste caso a imaginação do epílogo fica fácil.
O jogo, como sempre, aliás, é muito mais profundo do que sugere sua aparência, e não pode sercompreendido pela análise maniqueísta, binária, ditada pela grande imprensabrasileira, sem autonomia intelectual ou política. O conflito, que nada tem deideológico, é mais que uma disputa demercado, por significar a disputa pela hegemonia planetária (econômica, militare ideológica) em que se engalfinham os impérios, como quem caminha por caminhostortuosos que, por força do processo histórico, não podem ser evitados.
A substituição da guerra tout court pela via negociada (queno momento parece só interessar à Rússia e à Ucrânia) enfrenta obstáculos, acomeçar pelos poderosos interesses da indústria bélica, o complexomilitar-industrial ao qual se referiu DwightEisenhower no famoso discurso de transmissão da presidência dos EUA, em 1961. Oexpansionismo da OTAN (braço armado dos EUA na Europa) a caminho das fronteirasrussas e a resposta russa, ensejam oarmamentismo mundial, de especial na Europa e no Japão, e vem fortalecer aindústria bélica estadunidense, a grande beneficiária. É momento de grandesnegócios. Quando o emprego de armasnucleares passa a integrar o discurso das potências, a guerra convencionalsurge como um alívio.
O leitmotiv da continuidade da guerra (e o cimento dasalianças que se vêm estabelecendo à sua margem), portanto, não é a defesa daintegridade ucraniana, dificilmente recuperável.
Que pretendem os EUA fazendo a guerra por intermédio deprepostos? A estratégia ostensiva do Pentágono parece ser sustentar nos níveis atuais (guerra comerciale conflito armado convencional por intermédio da Otan e aliados). Essaestratégia, que fala ao curto prazo, resguardaria os EUA de novos desastres militares (Vietnã eAfeganistão), ademais de reduzir osriscos de uma guerra nuclear, indesejada, mas jamais de todo descartada, e paraa qual todos se preparam. Na operação presente um dos frutos já colhidos é afragilização do aliado atômico de seu contendor.
Além do efetivo comando da OTAN, a invasão da Ucrâniaensejou o fortalecimento da liderança dos EUA sobre uma Europa que já acalentousonhos autonomistas. Hoje, continente- protetorado, não pode mais alimentar aexpectativa de projeto estratégico próprio.
De outra parte, a estratégia chinesa claramente persegue o adiamento do conflito diretoentre as potências, confiada na continuidade de seu desenvolvimento acelerado(o PIB do primeiro trimestre de 2023 cresceu 4,5%). Qualquer que seja o sumárioda guerra, a China será vencedora, sem haver necessitado terçar armas.
Além da paz, a história anuncia dois derrotados, a Ucrânia por tudo o que éóbvio, e a Rússia, que até aqui não logrou realizar o objetivo que na retóricado Kremlin havia imposto a invasão: assegurar sua defesa ameaçada pelo cercodas tropas da OTAN. Neste sentido, o que vemos é a continuidadedo expansionismo da aliança militar, e portanto dos interesses geopolíticos deWashington. A organização militar (com bases de lançamento de artefatosnucleares na Bélgica, Alemanha, Itália,Holanda e Turquia), sai fortalecida com a adesão de países antes neutros, comoSuécia e Finlândia, enquanto vários deseus membros já anunciaram a decisão de aumentar os orçamentos militares, comoé o caso da Alemanha. No Pacífico, em nome da confrontação com a China, o Japãoanuncia sua adesão ao armamentismo.
Qualquer que seja o fim que a história tenha reservado parao conflito, a Rússia emergirá dele como devedora e tributária de uma Chinaextremamente poderosa, tanto na esfera econômica, quanto na esfera política,quanto na esfera militar (fortalecida com o acervo nuclear da aliada), quanto,por todas essas razões, no plano dageopolítica mundial. Segunda potênciado planeta, aguardará sem ansiedade o anunciado fim do largo ciclo de hegemoniados EUA. Viveremos, então, o intermezzo de um tempo multipolar. Serão os tempos da emergência da Eurásia.
A história presente abre espaço para a retomada de nossopapel como sujeito ativo e altivo nasrelações internacionais, a um tempo consciente de seu peso e de suas limitações,livre de condicionamentos maniqueístas. Lula já deu inumeráveis demonstrações da consciência deseu papel – uma indeclinável contingência histórica – como presidente do Brasil e líder regional, acertadamenterejeitando o maniqueísmo no qual a grande imprensa e os setores mais atrasadosda sociedade brasileira pretendem nos encarcerar.
O caminho está aberto, mas o caminhar conhecerápercalços, em face da correlação deforças dominante, avessa a um projeto nacional de soberania e independência.Nossa política de relações com o mundo, para se manter de pé, precisa de contarcom o apoio da sociedade, o que requer debate amplo com todas as forçassociais.
Perguntar não ofende – Em qual Oásis os dirigentes do PDT edo PSB devem repousar? No apoio ao governo, ou engrossando as fileiras dojagunço do atraso?
Por: Roberto Amaral.
Com a colaboração de Pedro Amaral
Caruaru - PE Prefeitura de Caruaru capacita 60 profissionais da segurança para atendimento em emergências e salvamento de vidas
Caruaru - PE Prefeitura de Caruaru oferta oficina de técnicas de corte e escovação de cabelos e amplia oportunidades de qualificação profissional
Caruaru - PE Prefeitura de Caruaru fortalece ações de cuidado e proteção às crianças com realização da Expo Primeira Infância
Caruaru - PE Prefeitura de Caruaru promove Dia D da Primeira Infância com ações intersetoriais
Caruaru - PE Prefeitura de Caruaru fortalece a qualificação profissional com vagas gratuitas em cursos de capacitação
Caruaru - PE Prefeitura de Caruaru realizará a Caravana Acolher para Transformar, com serviços gratuitos para pessoas em situação de rua Mín. 20° Máx. 35°
Mín. 20° Máx. 34°
Tempo nubladoMín. 16° Máx. 34°
Tempo limpo