Plano de Manejo do Mona permitirá a expansão da pisciculturade Paulo Afonso
A piscicultura do Reservatório de Xingó obteve umaimportante conquista: o Conselho Consultivo do Mona (Monumento Natural do rioSão Francisco) aprovou nesta terça-feira, 25, a minuta do Plano de Manejo daunidade de conservação situada na região dos Cânions do Rio São Francisco, eque abrange os estados da Bahia, Sergipe e Alagoas.
André Vitor representou a empresa no grupo de trabalho queelaborou o Plano juntamente com órgãos federais como ICMBio, Ibama, Chesf eCodevasf; órgãos estaduais da Bahia, a exemplo das secretarias de Meio ambiente(Sema) e Turismo (Setur), Inema e UNEB; órgãosmunicipais de Paulo Afonso (BA), Delmiro, Olho D´água do Casado e Piranhas (AL)e Canindé de São Franscisco (SE), além de colônias de pescadores, associaçõesde piscicultores e assentados, entre outras representações da sociedade civilorganizada. No processo de consulta foram ouvidas as comunidades tradicionaisindígenas, quilombolas e pescadores artesanais.
Agora o documento será submetido à análise jurídica daprocuradoria do ICMBIo e, uma vez aprovado, será publicado no Diário Oficial daUnião. A conclusão deste rito põe fim a uma espera de 15 anos. “Desde que foiinstituída como unidade de conservação, em 2008, o reservatório de Xingó nãopoderia ampliar nem receber novos empreendimentos de piscicultura enquanto nãofosse aprovado o Plano de Manejo”, explica.
Segundo a presidente da Associação de Pequenos Produtores dePeixe de Lagoa do Junco Juliana Feitosa, 35, o Plano de Manejo representa asegurança jurídica para quem trabalha poder buscar recursos nos órgãos definanciamento. “Desde 2008 a nossa atividade não tinha nenhuma segurançajurídica. A gente aguardava ansiosamente por esse momento. Foi uma vitóriamuito grande”, comemorou. “Vai melhorar ainda mais com a unidade debeneficiamento, que vai poder receber aparte da produção futura, não somente a nossa mas dos piscicultores vizinhostambém”, previu.
A associação é concessionária da Unidade de Beneficiamentode Xingozinho, estrutura de propriedadeda Bahia Pesca construída em 2021 com recursos da Companhia de Desenvolvimentoe Ação Regional (CAR) e que está em fase de certificação. A unidade temcapacidade para beneficiar até cinco toneladas de pescado por dia.
A parceria entre Bahia Pesca e Associação dos PequenosProdutores de Peixe da Lagoa do Junco vem de longa data. No final da década de1990 a empresa assistiu a entidade na realização da primeira piscicultura dahistória da região Nordeste, com o cultivo de tilápias em tanques-redeinstalados no reservatório de Xingó, em Paulo Afonso. Juliana, que à épocatinha apenas nove anos de idade, é testemunha dessa cooperação.
“A Bahia Pesca é parceira desde a fundação da nossaassociação. Em 1996 já prestava assistência técnica, depois vieram os projetose os investimentos. A gente vê a evolução desse trabalho, começamos com 40gaiolas, hoje já temos 350 e uma unidade de beneficiamento”, relata.
Além da Lagoa do Junco, a Bahia Pesca fomentou a expansão dapiscicultura para outros polos espalhados por todo o Estado. Segundo aPeixe.BR, em 2022 a produção baiana de tilápias foi de 34 mil toneladas,crescimento de 8,8% em comparação com o ano anterior. A Bahia ocupa hoje aterceira posição no ranking dos estados que mais exportam tilápias no Brasil,com 931 toneladas do produto negociadas ao exterior, gerando uma receita de US$2,5 milh?es.
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