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Inovação: o argumento financeiro para manter a floresta em pé

Inovação: o argumento financeiro para manter a floresta em pé

02/05/2023 11h58 Atualizada há 3 anos atrás
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Inovação: o argumento financeiro para manter a floresta em pé

Caso você tivesse que selecionar uma foto que melhorrepresentasse o progresso, qual dos cenários escolheria: uma cidade repleta deedifícios, fábricas, viadutos e automóveis, ou uma imensa floresta? Talvez, há30 anos, as pessoas em geral optassem pela imagem urbana. Hoje, temos maiorconsciência de que o modelo tradicional pode nos levar ao esgotamento. Afloresta, portanto, deixa sua mera condição de esquecido ponto de origem parase tornar o nosso próximo destino.

De acordo com o Conselho Empresarial Brasileiro para oDesenvolvimento Sustentável (CEBDS), com 20% de toda a biodiversidade do mundo,o Brasil tem potencial de gerar US$ 17 bilhões a partir de negócios com base nanatureza até 2030. Números que nos colocam como o grande player mundial dabioeconomia, em condições de ajudar as empresas a alcançarem suas metas ESG.

A forte demanda pós-pandemia ou mesmo os efeitos dascondições climáticas mostram que a escassez de um simples insumo dá chance ainviabilizar uma atividade inteira. Soluções baseadas na Natureza (SbN) têm acapacidade de diversificar fontes, reduzindo a dependência de itens, amenizarcustos logísticos e até melhorar margens. O custo de inovar é considerado alto,mas imagine o custo de não inovar: pode ser o desaparecimento não apenas da suaempresa, mas de todo um setor. E, na pior das possibilidades, do planeta.

Um dos maiores desafios dessas soluções é que nem sempre háum modelo econômico a ser seguido. Diferenças de contexto, estruturaregulatória, recursos, disponibilidade de dados, infraestrutura e ausência deabordagens anteriores para gerenciar risco são alguns obstáculos. Além disso, oprazo de retorno sobre o investimento para SbN pode ser longo e incerto,dependendo da categoria a que a empresa pertence.

Essas barreiras não são empecilhos para evoluir. O estudomais recente da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), por exemplo,aponta a existência de cerca de 180 cleantechs no país, negócios que buscameliminar impactos ecológicos negativos em segmentos como ar e meio ambiente,energia limpa, transporte e agricultura. Globalmente, de acordo com uma rede depesquisa da Universidade de Ottawa, no Canadá, a previsão é que nos próximossete anos haja um investimento de US$ 3,6 trilhões nesse tipo de inovação.

Nas soluções baseadas na natureza, os objetivos vão além doscomerciais e de negócio. Envolvem metas conectadas a propósitos e ideais,articuladas com outros setores e entidades, muitas vezes ligadas a organismosinternacionais e certificações de qualidade. Elas promovem o encontro daeficiência organizacional com as exigências cada vez maiores dos acionistas eas expectativas da sociedade.

As SbN não trazem apenas maior eficiência operacional e deprocessos, nem somente diferenciais competitivos. Essas soluções impactamdiretamente na reputação, na marca e no próprio valuation da companhia. Umcaminho fundamental para manter a floresta em pé, os oceanos “deitados”, osrios no seu caminho e as geleiras na mesma posição. Um mundo acolhedor e denegócios mais perenes.

*Felipe Novaes é sócio e cofundador da The Bakery, empresaglobal de inovação corporativa com clientes em 22 países e foco na gestão,governança e execução de iniciativas de inovação, Corporate Venture Capital eCorporate Venture Building. No Brasil, atende grandes companhias, como iFood,Vale, Natura, Grupo Emtel, Johnson & Johnson, ArcelorMittal, Grupo Fleury,Santander, Neoenergia, Suzano, CCR, entre outras.

Por: Felipe Novaes.

 

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