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A balada de um covarde fardado

A balada de um covarde fardado

13/07/2023 07h36 Atualizada há 3 anos atrás
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A balada de um covarde fardado

Empertigado em um uniforme engomado em demasia, otenente-coronel Mauro Cid parecia, postado como testemunha na CPMI do 8/1,ainda menor que seus intransponíveis 1,60m. Parecia um menino amedrontado, masera só um oficial das Forças Armadas reduzido ao papel de um covarde metido emfardas

A decisão por meter-se em traje verde-oliva, a triste ecafona indumentária do Exército brasileiro, não foi dele, mas do comando daforça terrestre, numa última tentativa de dar alguma dignidade ao pequeno Cid,preso há 70 dias, antes de enterrar-lhe a carreira.

Está mais do que claro que Mauro Cid, primeiro de turma,filho de general e mais íntimo colaborador de Jair Bolsonaro, está resignado aperder tudo - carreira, dignidade e a liberdade - para proteger o ex-chefe  e garantir o mínimo de salvaguarda para amulher e as filhas.

Recados não faltaram. Das 73 pessoas que o visitaram noBatalhão de Polícia do Exército de Brasília (BPEB), onde está preso preventivamente,41 eram militares. Também esteve lá Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria deComunicação da presidência da República, ainda hoje assessor pessoal de JairBolsonaro.

Mauro Cid está afogado em inquéritos que vão desde afalsificação de carteiras de vacinação e contrabando das joias sauditas atéparticipação na tentativa de golpe, em 8 de janeiro - sempre ligado,umbilicalmente, a Bolsonaro.

Mas parece ter percebido muito bem que uma coisa é delatarum chefe qualquer - a outra é entregar Al Capone à Justiça.

Por: Leandro Fortes.

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