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Recordações Inesquecíveis de uma bunda “sajada”

Recordações Inesquecíveis de uma bunda “sajada”

07/08/2023 08h24 Atualizada há 3 anos atrás
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Recordações Inesquecíveis de uma bunda “sajada”

As coisas não eram fáceis naminha família. Em 1975, meus pais, Argemiro e Regina, precisavam trabalharmuito para sustentar os sete filhos e a bodega montada na frente da nossa casana Rua Duque de Caxias em Paulo Afonso no Sertão da Bahia era o que supria asnossas necessidades. Só alguns anos depois minha mãe começou a vender roupas nafeira da cidade.

Naquele ano eu estudava naEscola casa da Criança 2 ligada a Igreja católica e que até hoje existe. Foi láque eu comi um dos melhores cachorros-quentes em rodelas da minha vida. Eleseram vendidos por uma Senhora por cima do muro de mais ou menos um metro dealtura.

Aquela Escola de cinco salasde aula foi onde eu fiz meu primário até a quarta série. Na frente dela tinhaum espaço vazio que transformávamos em campo de futebol durante os intervalosde aulas. Esse espaço separava a escola do muro para onde íamos comprarlanches, se tivéssemos algum dinheiro dado pelos nossos pais.

Sentávamos no muro de cimentobatido sem nenhum beneficiamento. E esse foi o erro de muitos, inclusive o meu.Muitos tinham calças jeans e a marca predominante era a LEE. Isso para quempodia comprar. A minha era uma azul com um brilho arretado que eu nunca entendiporque minha mãe a comprou para mim. O tecido era mais frágil que os jeans. Epor isso mesmo foi mais rápido rasgar após sentar, se mexer, brincar naquelemuro enquanto comia o cachorro-quente.

O fundo da calça rasgavafácil. Para solucionar o problema, minha mãe “sajou” a calça com um pedaço depano que tinha em casa. A linha usada se assemelhava a azul, mas nem de pertoera da cor da calça e após várias vezes que eram colocadas, ficava mais feioainda. Confesso que naquela época eu nem ligava para a situação que hojelembrando acho por demais ridículo. Mas a situação não era uma primazia minha emuitos outros passavam pela mesma situação.

A situação chegou a um pontoque aquela bendita calça ficou de um ano para outro. O que hoje é moda noestilo “pescador”, nós conhecíamos também como “Mocorongo”. Mas não era vistocomo moda e sim por falta de recurso para a compra de outra novinha em folha. Apobreza é uma merda mesmo.

E foi com aquela calça sarjadana bunda que passei parte da minha infância estudando na Casa da Criança. E oque nunca me foi visto como vergonhoso, hoje sinto que bom mesmo era a nossainfância onde nada era pecado, proibido ou visto com desdém. E vamos vivendodas nossas memorias, daquilo que foi belo um dia onde a vida tinha um sentidolúdico.

Dimas Roque.

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