Autora de "Três Palmos" (Penalux, 2021), MariaEugênia Moreira lança "Os pares de sapato não acompanham as quedas"no dia 15/09, na Ria Livraria, em São Paulo
"Direta ao fato como numa queda brusca. Assim é aescrita de Maria Eugênia M. que, sem devaneios ou necessidade de criarsuspense, vai do início ao fim em poucas palavras nos levando com ela a cadabaque. Basta ler a primeira página de Os pares de sapato não acompanham asquedas para entender que o calendário da narradora é marcado pelo antes e odepois da morte do seu filho. E que o que segue será um diário ou umaalucinação que mistura diversas perspectivas de uma mesma realidade."
Rita de Podestá, autora de Zaranza (2021), na orelha
Loucura, culpa, luto e, "basicamente, tristeza".São essas as palavras que a estudante de Psicologia Maria Eugênia Moreira(@mareugn), que estreou na ficção com "Três Palmos" (Penalux, 2021)usa para descrever seu novo romance, "Os pares de sapato não acompanham asquedas" (2023, 67 páginas), com publicação pela editora Reformatório. Olivro será lançado na sexta-feira, dia 15/09, a partir das 19h, na RiaLivraria, espaço cultural próximo ao metrô Vila Madalena, em São Paulo.
Numa escrita que mescla a narrativa ao diário, o livro traza experiência de uma mãe que perde o filho aos 29 anos para o suicídio. Muitoinspirada na história trágica do escritor carioca Victor Heringer, influênciatanto literária quanto acadêmica da autora, "Os pares de sapato nãoacompanham as quedas" tem seu enfoque na trajetória dos que ficam, cujoluto e desorganização psíquica nos convidam a participar, com a personagem, asua própria investigação em torno do ocorrido.
Segundo Moreira, "o livro nasceu de um pensamentopersecutório, de uma necessidade de esclarecimento sobre como acontece umsuicídio, como se dão todos os minutos que precedem e suscedem atragédia". Ela também comenta que a escrita de "Os pares de sapatonão acompanham as quedas" tem seu contorno pessoal, relacionado àelaboração de um luto familiar. O encaminhamento da história, entretanto, tomououtro rumo. "No fim acabou sendo uma tentativa de superar o meu sofrimentocom outro muito maior, mesmo que fictício."
Para ela, o processo de escrita tem uma finalidade quaseterapêutica. "Comecei a escrever quando fiquei triste verdadeiramente pelaprimeira vez. Desde então funciona assim: como quem chora até não conseguirmais, eu escrevo."
Apesar do processo pouco linear e organizado, a produção daautora carrega consigo referências já consolidadas, caso do próprio VictorHeringer, cuja obra "O Amor dos Homens Avulsos" motivou também apesquisa de TCC de Moreira pela PUC/SP, escrita ao mesmo tempo em que oromance.
Entretanto, ela também cita os escritores Marçal Aquino,João Tordo, Rita de Podestá — sendo a última autora do texto de orelha de"Os pares de sapato não acompanham as quedas" —, como inspiraçõesimportantes.
Maria Eugênia Moreira: escrever como quem chora
Maria Eugênia é escritora e graduanda em Psicologia naPUC-SP. Nascida em Jacareí e criada em Cruzeiro, na divisa dos três estados(São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), a autora sofreu desde cedo ainfluência da literatura local. "Ospares de sapato não acompanham as quedas" é o seu terceiro livro publicado. Atualmente reside na cidade de SãoPaulo, onde estuda e faz a vida.
A autora conta que escreve desde os 14 anos, mas de maneirapouco linear. "É um processo de escrita independente, ele começa e terminasem que eu precise fazer o esforço da disciplina. É estranho falar isso, mas éverdade. Funciona como um espasmo que logo vai embora”, justifica.
Para ela, os grandes gatilhos para a escrita são osofrimento. Ela conta que começou a escrever apenas "quando ficou tristepela primeira vez", e vem sendo assim desde então. "Funciona assim:como quem chora até não conseguir mais, eu escrevo. Só sei assim, quando nãoestou muito legal.", comenta.
Confira um trecho da obra:
"As pessoas temem me contrariar, não questionam mais ascoisas que faço e facilitam essa loucura. E nem imaginam os absurdos que jácometi, principalmente nesse apartamento. Coisas como: escovar os dentes com aescova do meu filho morto, passar o batom que encontrei no fundo do seuarmário, que devia ser de uma de suas ex-namoradas, espirrar o seu perfume nasplantas do prédio, jogar pela janela uma foto minha recente e depois uma deHeitor e sua nova família — não pela janela da sala, de onde Marcos se jogou,mas pela janela do quarto. Quando perguntam de mim, são sempre poucasperguntas, no máximo três."
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