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Crônica de Maria, a Bonita

Crônica de Maria, a Bonita

27/09/2023 07h51 Atualizada há 3 anos atrás
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Crônica de Maria, a Bonita

Eu sou das terras do Nordeste,sou do canto onde nasceu Maria Gomes de Oliveira, Paulo Afonso no Sertão daBahia, mulher formosa arretada que chamava a atenção de quem a conhecia. Elafoi casada com José Miguel da Silva, sapateiro das bandas de Santa Brígida.

Pois agora eu vou contar queMaria de Déa era a mesma que ficou conhecida como Maria Bonita. Corajosa, foiela a primeira mulher a entrar no Cangaço, após Virgulino Ferreira, o Lampíãose enrabichar por tão formosa flor.

Bateu perna com seu novomarido, temido pelas bandas de cá. Andou pelo raso da Catarina de “parabelo” namão. Enfrentando a volante, cuspindo fogo nos que se metessem em seu caminho.

Percorrendo os sertões, sob osol escaldante, Maria Bonita e Lampião, num romance constante, no Cangaço,juntos, enfrentavam os desafiantes, mas no coração, ansiavam por algo maisimportante, era o amor que brotava a cada instante.

Ela era valente, destemida eaudaz, uma cangaceira, de fibra e capaz, já Virgulino, o Lampião, com seu olharsagaz, juntos, sonhavam com um futuro mais veraz. Não esperavam eles, que umdia pudessem tombar em um ataque sorrateiro.

Nos lampiões acesos, namadrugada serena, sob as estrelas brilhantes, a lua amortecia, toda aquelafúria, com esperança amena, poderia ter deixado o Cangaço e construir uma vidaplena. Mas o amor e a dor caminharam juntos até os últimos momentos.

Em cada emboscada, em cadapeleja, Maria Bonita, com graça e com beleza, e Lampião, com sua força edestreza, faziam história, na luta no cangaço não tinha moleza. Eram balas pratodos os lados, punhais que cortavam o vento, e Maria com seu sorriso, viveucada momento.

Maria e Virgulino, era pura paixãoa pulsar, no coração, no acalanto das noites, lado a lado, viveu um sonho semum futuro, ao som do fole animado, sob o céu estrelado.

E assim, nessa saga,destemidos a lutar, viveram o Cangaço a persistir, sem se abalar, mesmo nosertão, na poeira e no calor, o amor deles brilhava, com esplendor, e nocoração, o amor foio motor, que fez Maria tombar.

Assim, nesta história dabravura e paixão de Maria e Lampião, não havia espaço para sonhar com um lar,um doce rincão. Cá no sertão nordestino, onde a vida é rude, eles seguiramfirmes, com atitude, aonde o caminho era longo e grosseiro, morreram abraçados parasempre, está foi a atitude.

E assim, a história de Maria deDéa, que virou Maria Bonita só após a sua morte, a mulher que entregou sua vidaao cangaço por amor a Lampião, é lembrada nas palavras populares do sertão. Elafoi uma guerreira corajosa, uma cangaceira destemida, e seu amor, eternamentegravado na memória nordestina, vive para sempre no coração do povo. O sertãoainda ecoa com o nome de Maria Bonita, a rainha destemida do cangaço, queprovou que o amor pode ser a mais forte das armas no mais árido dosterritórios.

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