A campanha Outubro Rosa, lançada no início da década de1990, em Nova York, Estados Unidos, é celebrada no Brasil e no exterior com oobjetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre ocâncer de mama, a fim de contribuir para a redução da incidência e damortalidade pela doença.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), ocâncer de mama é o mais incidente nas mulheres (depois do de pele nãomelanoma), com 74 mil casos novos previstos por ano até 2025. Estudos daAssociação Americana de Câncer mostram que, se descoberto no início, o câncer demama tem chances de cura de até 95%. Esse índice cai para até 50% se aneoplasia estiver em um estágio mais avançado.
O cirurgião plástico Luís Maatz, membro da SociedadeBrasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e especialista em Reconstrução Mamáriapelo Hospital Sírio-Libanês; explica que a reconstrução mamária é uma cirurgiaplástica reparadora para mulheres que se submeteram à mastectomia.
“O objetivo desse procedimento é reconstruir a mamaretirada, buscando um resultado que leve em consideração o volume, a forma, asimetria e a aparência das mamas, ajudando na recuperação da autoestima,confiança e qualidade de vida da paciente”.
Por que fazer a reconstrução mamária?
De acordo com Dani Fontinele, terapeuta sexual, sexólogaclínica, membro da ABRASEX e pós-graduada em Terapia Sexual e Terapia de Casalpelo CEFATEF/DOCTUM; os seios são um símbolo de feminilidade, da identidadesexual e materna da mulher.
“Qualquer intervenção nessa área afeta a autoestima dasmulheres, em um momento já intrinsecamente desafiador. Se não bastasse, amaioria precisa ainda lidar com as disfunções sexuais, de origem psicológica oufisiológica, associadas à doença ou aos tratamentos”.
Segundo Dani Fontinele, as disfunções mais relatadas são aqueda da libido e o ressecamento vaginal, que geram muita dor durante apenetração e, consequentemente, a dificuldade em atingir o orgasmo. “Enquanto osexo com penetração gerar desconforto, apostem em outros estímulos, exploremoutras áreas potencialmente excitantes. Esse é um momento de incentivar novasformas de intimidade que promovam a redescoberta do corpo e do prazer”.
Um estudo realizado na Unidade de Oncologia do Santa MariaGoretti Hospital, na Itália, avaliou pacientes internadas com câncer de mama,abordando 3 aspectos: autoimagem, atividade sexual e satisfação sexual, antes edepois do diagnóstico e do tratamento. Quase metade (aproximadamente 49%)afirmou ter sentido algum efeito negativo na autopercepção e na vida sexual,enquanto pouco mais de 7% das entrevistadas mencionaram um impactosignificativo nesses aspectos após o diagnóstico e durante o tratamento.
Quem realiza a mastectomia enfrenta um desafio ainda maior.“Não à toa, a reconstrução mamária é tida como aliada na recuperação daautoestima sexual da mulher. Até porque todas que passam por cirurgia de câncerde mama são candidatas para reconstrução mamária, uma vez que o tratamento levaa algum grau de mutilação, causando prejuízos psicossociais”, diz a terapeuta.
Segundo ela, a satisfação de ter a mama reconstruída superaalguns inconvenientes, como a perda total ou parcial da sensibilidade na região(ao menos, nos primeiros anos). “Olhar no espelho e se ver novamente com seiostraz de volta a segurança, a confiança em si e a autoafirmação como mulher.Aliás, muitas que superaram a doença acabaram se reinventando e melhorando osexo com a parceria”.
Quais as principais técnicas realizadas
Segundo Luís Maatz, há vários tipos de reconstrução mamária,que vão utilizar diferentes técnicas. As principais são:
Reconstrução com prótese de silicone: Indicadoprincipalmente para mamas pequenas e médias. “A vantagem deste método é que arecuperação é mais rápida. O tempo de internação hospitalar médio é 24 a 48horas após a cirurgia, e o retorno às atividades ocorre em até 4 semanas”.
Expansor de mama: Normalmente, é realizada como uma etapaintermediária em cirurgias onde houve retirada de pele durante a mastectomia.De acordo com Luís Maatz, o expansor funciona como uma prótese vazia, ouparcialmente cheia, que é progressivamente preenchida com solução salina pelocirurgião.
“Após atingir o volume desejado, o expansor é substituídopor uma prótese de silicone. Por isso, essa é uma opção vantajosa para mulheresque querem aumentar as mamas”. Na cirurgia inicial, o tempo médio de internaçãoé de 24 a 48 horas, e o retorno às atividades acontece em até 4 semanas.
Retalho do músculo grande dorsal: O médico utiliza essemúsculo das costas com uma porção de pele. Na maioria dos casos, é necessárioassociar uma prótese de silicone para dar volume à mama. Porém, pacientes comexcesso de tecido nas costas podem não precisar da prótese. “Já a cicatriz éestrategicamente planejada para ficar nas costas, escondida pelo sutiã, top oubiquíni”.
Retalho do músculo reto abdominal (TRAM): Luís Maatz revelaque essa é a técnica mais sofisticada, já que resulta em uma mama com aspectomais natural e com maior consistência ao toque. “Ocorre ainda a ressecção dotecido abdominal excedente, principalmente após uma gestação, melhorando ocontorno da barriga. Além disso, a cicatriz fica discretamente na região inferiordo abdome”.
Enxerto de gordura: Um dos métodos mais populares, elepermite a reconstrução total de mamas pequenas, a melhora do aspecto da peledanificada pela radioterapia, a correção de defeitos após outros tipos dereconstrução, entre outras vantagens.
“Por estas e outras razões, o enxerto de gordura é comumenteindicado em alguma etapa da reconstrução mamária, além de resultar emcicatrizes mínimas e no retorno rápido à vida normal”, explica Maatz.
“Vale lembrar que a mulher pode passar por um período deajuste emocional após a cirurgia. Assim como é preciso se adaptar à perda deuma mama, também é necessário tempo para se acostumar com os seiosreconstruídos. Em muitos casos, a terapia sexual ajuda a normalizar este novocenário”, diz Dani Fontinele, que alerta ainda sobre a importância de apaciente alinhar suas expectativas com a equipe médica para garantir que areconstrução mamária atenda aos seus anseios.
“É fundamental também constatar a experiência e aqualificação dos profissionais em suas regiões, verificando suas credenciaisnos sites do Conselho Regional de Medicina do seu Estado, do Conselho Federalde Medicina (CFM) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)”,finaliza o cirurgião Luís Maatz.
Por: Flávia Vargas Ghiurghi.
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