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Com 70% do corpo queimado, idoso atingido por raio, em Teixeira de Freitas, é transferido de UTI aérea para o HGE, em Salvador

Com 70% do corpo queimado, idoso atingido por raio, em Teixeira de Freitas, é transferido de UTI aérea para o HGE, em Salvador

13/11/2023 10h00 Atualizada há 3 anos atrás
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Com 70% do corpo queimado, idoso atingido por raio, em Teixeira de Freitas, é transferido de UTI aérea para o HGE, em Salvador

Central Estadual de Regulação: Estado garante assistência àsaúde em menor tempo, priorizando os casos mais graves

Gildásio estava na varanda de casa, na cidade de Teixeirade Freitas, no extremo sul da Bahia, quando foi atingido por um raio e teve 70%do corpo queimado, no último sábado (4). A intensidade da descarga elétricarecebida pelo idoso, de 64 anos, durante o incidente foi tanta que desfez otecido de suas roupas e danificou acessórios como óculos e relógio, ocasionandoqueimaduras de segundo e terceiro graus. Ele foi socorrido por vizinhos elevado para o hospital municipal e, em seguida, foi transferido para umhospital privado.

Na segunda-feira (6), a equipe médica que o acompanhavasolicitou sua regulação para unidade com suporte especializado, sendo aceito noHospital Geral do Estado (HGE), que é referência no tratamento de queimaduras.“Fui muito bem acolhido desde o acidente. Até agora, tudo foi fácil, graças aDeus. Só tenho a agradecer, uma referência boa aqui no estado da Bahia, o HGE.Estou muito satisfeito”, contou Gildásio.

Foram cerca de sete horas entre o pedido dos médicos para aregulação do paciente para o HGE e a chegada até o hospital, em Salvador. Arapidez da transferência é resultado do pronto atendimento da Central Estadualde Regulação (CER), da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), à demanda deGildásio, associado ao transporte via unidade de terapia intensiva (UTI) aérea,viabilizado pelo Governo do Estado. O equipamento fez com que o tempo dedeslocamento dos 800 quilômetros, entre sua cidade e a capital, se encurtasse.

O atendimento ao idoso, tanto na regulação quanto durante otratamento no HGE, tem surpreendido Joare, filho caçula de Gildásio, queacompanha o pai desde a saída de Teixeira de Freitas. “Os médicos solicitaram atransferência [para o HGE] por volta das 13h [de segunda]. Embarcamos noaeroporto de Teixeira na mesma tarde e, por volta das 20h, já estávamos noHGE”, conta.

Gildásio é um dos 19.434 pacientes regulados, em todo oestado, no mês de outubro, três mil a mais na comparação com o mesmo período de2022, quando a CER registrou 16.366 pessoas encaminhadas para internaçõeshospitalares em todo o estado. O recorde de internação do último mês écomemorado pela diretora da Regulação, Rita Santos. Segundo ela, o resultadoveio a partir do trabalho de excelência prestado pela equipe da Central – que,atualmente, conta com 600 profissionais, entre médicos reguladores e auxiliaresde regulação –, integrado à oferta de equipamentos de saúde e sua capilaridadeem todo estado.

“Isso se deve à ampliação dos serviços e leitos que ogoverno do Estado vem garantindo a cada mês. Essas ações, implantadas em todasas regiões de saúde, têm garantido, não só um número maior de atendimentos,mas, também, a redução no tempo de espera”, afirma a diretora da Regulação RitaSantos.

Dinâmica da CER

Diariamente, são 30 médicos que atuam no período diurno eoutros 16 no período noturno, o que garante o acompanhamento, 24 horas por dia,de todas as solicitações encaminhadas pelas unidades requisitantes. Rita Santosexplica, ainda, a importância do atendimento por profissionais especializados.“Não só garante o aumento do número de atendimentos, porque são mais médicosanalisando as ocorrências, mas, também, porque consegue dar uma qualidademelhor na avaliação dos relatórios”, pontua.

Ainda segundo a diretora, além da contratação de maismédicos, o Governo do Estado aumentou o número de leitos, a exemplo da aberturado Hospital 2 de Julho, que ampliou a quantidade de pacientes de clínicamédica. Também houve a contratação e credenciamento de diversos hospitais, comoo Hospital Dom Pedro Alcântara (HDPA), em Feira de Santana, que credenciouleitos de UTI, serviços de cirurgia cardíaca e marca-passo.

Portador de uma Atrofia Muscular Espinhal (AME) do tipo 1,uma doença considerada rara, degenerativa, que interfere na capacidade do corpode produzir uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores,responsáveis pelos gestos voluntários vitais simples do corpo, como respirar,engolir e se mover, Breno, de 9 anos, precisou de um atendimento específico.Foi transferido, também via UTI aérea, disponibilizada pelo Governo do Estado,para o Hospital Roberto Santos (HGRS), unidade localizada em Salvador –referência em pediatria de alta complexidade na Bahia.

“Confesso que fiquei com medo do meio do transporte, mas aequipe me tranquilizou e manteve Breno tranqüilo. Foi uma super equipe quetransportou a gente, desde o aeroporto até o Roberto Santos. Não acreditava queconseguiríamos uma UTI aérea tão rápido, por a gente morar no interior, masconseguimos e, muitas vezes, não acreditamos por ser SUS, mas tive essaexperiência e foi possível, graças a Deus. Posso dizer que foi um atendimentode excelência”, testemunha Rebeca Rayane, 28, mãe de Breno.

A atuação responsável da CER na transferência de pacientesconsidera as especificidades de cada caso, direcionando-os conforme anecessidade e oferta de recursos que a patologia exige e traz uma novaperspectiva para o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). “Há 20 anos,existia uma prática na Bahia conhecida como ambulâncioterapia, quando oshospitais colocavam os pacientes em uma ambulância e pediam para que elesprocurassem um lugar para buscar atendimento”, lembra Mônica Hupsel,superintendente de Gestão dos Sistemas de Regulação da Atenção à Saúde daSesab.

A gestora destaca o compromisso da CER no encaminhamento dopaciente para a unidade adequada. “Não é deixar o paciente, ele próprio, buscaro recurso. Nós é que iremos dizer onde está aquele recurso que ele estánecessitando no momento”, defende.

A mãe de Maurício, dona Maria Tereza, 77 anos, esperoupoucas horas para ser transferida do hospital Menandro de Farias (em Lauro deFreitas) para o Roberto Santos. Ela estava internada para tratar um problemapulmonar. “Não demorou mais do que quatro horas para conseguirem umatransferência para o Roberto Santos. Depois da regulação, chegamos e fomos bematendidos aqui”, agradece.

Critério é gravidade

De acordo com o diretor médico da Central de Regulação,Eduardo Sampaio, o critério principal para regulação de um paciente é agravidade. “Não existe uma ‘fila de regulação’. Fila é quando uma pessoa estáatrás da outra para entrar na ordem certa. Nosso primeiro critério é agravidade. Se o paciente entrou agora, e o estado dele é mais grave do queoutro que entrou de manhã, essa vaga é do paciente mais grave, sempre”,explicou o diretor médico.

Mesmo quando não há vaga em uma unidade hospitalar, omédico regulador está habilitado para atuar como uma autoridade sanitária,podendo determinar uma regulação dentro da chamada ‘vaga zero’. “Em uma unidademédica lotada, quando há necessidade de colocar um paciente com risco iminentede morte ou com alguma situação grave, comunicamos a unidade e encaminhamos opaciente para a vaga zero. Existe uma série de situações, como fratura exposta,infarto agudo do miocárdio, trabalho de parto demorado ou traumatismo craniano,que não passam mais de 15 minutos em nossa tela”, enfatizou Eduardo Sampaio.

Por: David Mendes.

Com colaboração de Laís Nascimento.

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