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A Axé Music acabou?

A Axé Music acabou?

04/12/2023 13h14 Atualizada há 3 anos atrás
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A Axé Music acabou?

De acordo com o compositorJorge Papapá, a resposta é “não”. O que falta no atual cenário da música baianaé que os artistas gravem novas composições. Atualmente, há um fenômeno em que,nos shows, estão sendo cantadas músicas como “Faraó” e “Nega do Cabelo Duro”,esquecendo-se de que o público quer consumir algo novo. Parece até que osartistas pararam no tempo.

Papapá, compositor de sucessosgravados por Ivete Sangalo e Daniela Mercury, entre muitos outros da músicabaiana, não é o único a falar abertamente sobre isso. Mú Carvalho, tambémcompositor e membro da banda A Cor do Som, ao ser questionado se o que acontececom a Axé Music está acontecendo também no mundo do Rock nacional, disse: “Euestou cada vez entendendo menos sobre o mercado e os caminhos da música noBrasil”. E certamente, nem ele e nem muitos artistas, compositores e o públicoque vivem de sucessos de décadas atrás estão conseguindo entender o marasmo emque vive o cenário musical brasileiro.

O problema não está na música“Faraó”, ou no Rock que fez sucesso e que, ao serem executados, são um acontecimentogarantido. O maior problema da chamada Axé Music e de todos os ritmos está naausência de gravações de novas músicas tocando nas rádios e nos shows. E olhaque há dezenas de artistas gravando, mas que não conseguem a mesma visibilidadeque os já famosos e famosas da Bahia.

Parece até que os cantores ecantoras renomados foram acometidos de medo. Medo de gravar o novo, medo de quenão façam mais sucesso como já fizeram há dezenas de anos atrás. Por isso,preferem garantir o evento que dará uma boa bilheteria com suas velhas cançõesamarrotadas.

A ausência de músicas novas emshows da Axé Music deu espaço a composições de gosto duvidoso em que asmulheres são retratadas de forma pejorativa e que caíram no gosto popular pelamassificação da mídia de rádio e até conseguiram chegar à televisão.

Há os que dizem que “todomovimento musical passa e ficam só as grandes composições e os melhoresartistas ao longo do tempo”. Isso pode ser uma verdade se olharmos o queaconteceu com o “Tropicalismo”, a “Bossa Nova” e até mesmo o “Forró” de LuizGonzaga que se transformou em um ritmo que nem de longe é o que Dominguinhostocava.

A repetição de antigossucessos, mesmo que façam o público cantar e dançar, não vai dar vida à AxéMusic. O que faz dar vida a qualquer movimento musical, “é gravar músicasnovas”, afirmou Papapá.

 

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