Geral Carnaval

Carnaval é coisa séria

Carnaval é coisa séria

16/02/2024 08h53
Por:
Carnaval é coisa séria

Eram 23h da terça-feira de carnaval e um termômetro de ruana Avenida Chile, centro do Rio de Janeiro, marcava 30°C enquanto o tradicionalbloco Cacique de Ramos encerrava seu desfile. Mais cedo, a cantora Ludmillaencerrou seu bloco, também no Rio, antes do previsto, por conta do calor.Outros blocos menores anunciaram que sairiam mais tarde, também por conta datemperatura. Na Sapucaí, foram realizados mais de mil atendimentos médicos nosdois dias de desfile do Grupo Especial, segundo informações da Secretaria deSaúde do Rio de Janeiro. O calor foi apontado como um dos principais motivosdos atendimentos.

Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo, foi recebido comvaias no sambódromo do Anhembi; o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), foipresença constante nos desfiles da Sapucaí, com direito a cumprimentar oprimeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense emplena avenida. O prefeito do Recife, João Campos (PSB), que tem se tornado umfenômeno no TikTok, publicou diversos vídeos mostrando as atraçõescarnavalescas da cidade e curtindo os shows. O pré-candidato à prefeitura deSão Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), também participou de blocos de rua nocentro da cidade, onde no pré-carnaval não era difícil ver pessoas com adesivose tatuagens temporárias com desenhos de bolo, em alusão à sua candidatura.

Se por um lado o carnaval foi uma espécie de termômetro paraas eleições municipais de outubro, com prefeitos e pré-candidatos testando suapopularidade no meio da multidão, por outro – como sempre – os foliões, comcriatividade e bom humor característicos dessa época do ano, também deram seurecado. Pelos blocos do Rio, vi diversas placas improvisadas sobre uma possívelprisão de Jair Bolsonaro durante o carnaval e um grupo que, após a operaçãoTempus Veritatis ser deflagrada na última quinta-feira, correu para fazerfantasias de passaporte apreendido do ex-presidente para usar no sábado.

Eu acho incrível como fantasias podem ser só fantasias, mastambém podem ser comentários críticos, irônicos, gritos de resistência. Meemocionei com uma moça fantasiada de palhaça que homenageava Julieta Hernandez,a palhaça Jujuba, vítima de feminicídio nos primeiros dias de janeiro. Assimcomo me emocionei ao ver o Salgueiro celebrar o povo e a cultura Yanomami, aPortela apresentando o livro “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves e aVai Vai celebrando o hip hop. Esta última, incomodou policiais e políticos dedireita ao retratar a tropa de choque da Polícia Militar com chifres,representando a repressão policial.

Como disse o professor Luiz Antônio Simas, o carnavalafronta a decadência da vida em grupo e fortalece pertencimentos. Que a genteleve isso para o restante do ano.

Por: Marina Dias - Diretora de Comunicação da Agência Pública.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários