Em São Paulo, a Polícia Militar do governo Tarcísio deFreitas matou 38 pessoas em menos de um mês na Operação Verão – continuação damalfadada Operação Escudo, que já havia tirado a vida de 28 pessoas na BaixadaSantista no ano passado.
Nas palavras do relatório da Ouvidoria da polícia, quevisitou os lugares-alvo da operação no dia 11 de fevereiro, este já é “o maiormassacre do estado paulista desde a chacina do Carandiru”.
Oito crimes fatais, ocorridos em apenas três dias entre 7 e9 de fevereiro, investigados pela Ouvidoria e entidades de direitos humanos,foram identificados como execução. Entre eles a morte de dois adolescentesdesarmados em Itanhaém. Ao ouvir as denúncias dos moradores, uma mãe relatou aabordagem truculenta de policiais contra o filho de 10 anos de idade em SãoVicente.
Aliás, como revelou uma reportagem de ontem da Pública, nagestão Tarcísio, com o capitão Derrite à frente da Segurança Pública, o númerode crianças e adolescentes mortos em decorrência de operações policiais subiu58% em um ano. O número saltou de 24 mortos em 2022 para 38 vítimas em 2023. Amaior parte das vítimas é negra e diversos crimes têm características deexecução.
E não só em São Paulo. No Rio de Janeiro pós-Carnaval, a“normalidade” está de volta. Na última terça-feira, nove pessoas foram mortasem mais uma operação conjunta das polícias Civil e Militar, sempre sob opretexto de combater o Comando Vermelho (CV). Duas delas foram socorridas porpessoas da comunidade no Complexo do Alemão, como mostra um vídeo chocantepostado nas redes sociais. Segundo a polícia, eles seriam membros da facçãocriminosa e morreram a caminho do hospital. Mais sete foram assassinados emsuposto confronto com a polícia na Baixada Fluminense.
Mais uma vez, as crianças e adolescentes das comunidades daMaré, Alemão, Penha e Morro do Trem pagaram um alto preço pelos crimes que nãocometeram. Trancados em casa durante mais um dia de terror, assistiramimpotentes ao fechamento de 62 escolas, que deixou mais de 20 mil estudantessem aulas.
Já em Minas Gerais, encerraram-se os dois anos deinvestigações da Polícia Federal (PF) sobre a chacina de Varginha, a maiorperpetrada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no governo Bolsonaro. Deacordo com a reportagem da Pública, os agentes simularam um tiroteio parajustificar o assassinato de 26 pessoas desarmadas. Pura e simplesmenteexecução.
A PF pediu o indiciamento de 23 policiais rodoviários e 16militares, entre eles um tenente- coronel, por crimes de tortura, homicídioqualificado e fraude processual. Durante a ação policial, nenhum agente ficouferido. Ao todo, eles dispararam 500 tiros.
É dessa crise da segurança pública que deveríamos estartratando em vez de enviar o ministro da Justiça para Mossoró, como se a fuga dedois presos fosse o fato mais preocupante do país, ou aprovar projetospopulistas que unem políticos de todos os partidos contra as saidinhas dospresos, outra medida comprovadamente ineficaz e cruel.
Até aqui, porém, a cobertura dos grandes veículos sobresegurança pública só perpetua o sofrimento da população e os equívocos naspolíticas que supostamente deveriam fazer a lei prevalecer.
Por: Marina Amaral - Diretora Executiva da Agência Pública.
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