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Boulos é aposta de Lula para o futuro da esquerda no país

Boulos é aposta de Lula para o futuro da esquerda no país

13/10/2024 05h35
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Boulos é aposta de Lula para o futuro da esquerda no país

Em uma eleição em que a direita prevaleceu, do eternocentrão aos renovados extremistas, e a esquerda foi tida como a grandederrotada - o que não é nenhuma novidade, aliás, com a força do antipetismo queemergiu na Lava Jato -, aproveito este espaço para falar um pouco das jovenslideranças de centro e de esquerda que se projetaram nessas eleições.

Para ficar nos líderes com maior destaque: além de JoãoCampos, 30 anos, que, como esperado, conquistou a reeleição em Recife comfabulosos 75% dos votos, a chegada de Guilherme Boulos ao segundo turno e aresiliência da centrista Tábata Amaral nas eleições em São Paulo, galvanizadaspelo jovem líder de extrema direita, Pablo Marçal, credenciam os dois deputadosfederais a sonhar com um papel político maior.

Tabata obteve mais de 600 mil votos em sua primeira disputapara um cargo eletivo e conquistou o respeito do eleitorado com uma atitudemais propositiva e educada do que os adversários homens. Aplicada, certamenteaprendeu com a campanha e deveria ser mais valorizada pelo seu partido, o PSBde Campos e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Gilberto Kassab, o cacique doPSD apontado como o grande vitorioso dessas eleições, já estava de olho emTabata quando ela saiu do PDT, em 2019, e o cacife dela sem dúvida aumentou.

Do lado da esquerda, faz tempo que o presidente Lula sacou opotencial do líder psolista e o chamou para junto de si. “Boulos tem 35 anos.Eu tinha 33 quando fiz minha primeira greve. Você tem futuro, meu irmão”, disseo então ex-presidente, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos naquele 7 deabril de 2018. Horas depois, Lula se apresentaria voluntariamente à PolíciaFederal de Curitiba, para cumprir o primeiro dos seus 580 dias de prisão,decretada pelo então juiz Sérgio Moro.

Naquele momento, o gesto do presidente ao deputado que, comoele, tem origem no movimento social, tinha a força do legado político. Revendoas fotos daquele dia, salta aos olhos a escolha simbólica de dois jovens,pré-candidatos à presidência que não eram do seu partido, para reafirmar a féno futuro: Boulos, do PSOL, e Manuela, candidata do PCdoB, a quem Lula abraçoulogo depois da frase dita a Boulos.

 

Imagino a ciumeira no PT.

Agora, a eleição em São Paulo é uma grande oportunidade paraGuilherme Boulos com uma grande vantagem para o psolista: pesquisas e analistasindicam que o mais provável é que a mediocridade do atual prefeito, turbinadocom recursos e máquina política vença o segundo turno. Se perder, nãodecepciona; se ganhar, faz milagre e desponta como a maior liderança jovem daesquerda no país. Sob as bênçãos do presidente Lula, que deve se envolver maisno segundo turno da campanha.

Não é o que se espera, mas Boulos pode surpreender. Nunestem muitas fragilidades - de acusações de corrupção e favorecimento de amigosao caso de violência doméstica contra a esposa.

“ Os que recordam do abandono da cidade durante os três anosanteriores à campanha, como expôs principalmente Tabata, durante os debates, sóo reelegem se a rejeição ideológica a Boulos for maior. E, nesse campo, a brigacom Pablo Marçal não o favorece. Os eleitores do ex-coach não são exatamenteguiados pela razão. Sabe-se lá o que farão.

Além disso, o deputado do PSOL já conseguiu um grande feitoanterior, nas eleições municipais de 2020 quando chegou ao segundo turno mesmonão sendo o único candidato da esquerda. Perdeu de Bruno Covas, herdeiro doPSDB que dominou São Paulo por décadas, mas dobrou a votação entre o primeiro eo segundo turno.

E o candidato ainda tem lenha para queimar nesta eleição, emque deveria ter chegado no primeiro lugar no primeiro turno, não fosse aconfusão dos números de PT e PSOL; sem falar nas fake news de Marçal.

Seja qual for o resultado final da eleição, Boulos podereforçar a sua liderança também dentro do PT, que até o momento não conseguiuapresentar novos nomes com cacife eleitoral e teve que reconquistar umaveterana que votou no impeachment de Dilma para ser a vice na chapa encabeçadapelo PSOL.

A renovação de lideranças é uma boa notícia para o campoprogressista que, se não brigar entre si e souber conviver com o centro, comofaz o presidente Lula, pode superar a direita, que sai destas eleiçõesfortalecida, mas dividida. Do contrário, o que nos espera é uma nova expansãoda direita como promete a união entre Kassab e Tarcísio de Freitas.

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