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Canindé prioriza eventos em detrimento de direitos básicos, denunciam Isa Bezerra

Canindé prioriza eventos em detrimento de direitos básicos, denunciam Isa Bezerra

19/03/2025 22h32 Atualizada há 1 ano atrás
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Canindé prioriza eventos em detrimento de direitos básicos, denunciam Isa Bezerra

Enquanto a prefeitura investe em eventos como o Carnaval e festasreligiosas, servidores públicos denunciam a violação sistemática de direitosfundamentais, incluindo parcelamento abusivo de salários e descaso comprofissionais da saúde. A situação expõe contradições na gestão municipal do prefeitoMachado Barbosa (União Brasil), que alega crise financeira, mas mantém gastoscom espetáculos mesmo sob decreto de emergência por seca. 

Isa Bezerra, professora e paciente oncológica, relata o impactohumano: 

"Trabalho sem parcelar minha dedicação, mas meu salário édividido. Como pagar exames urgentes ou me preparar para um transplante noRecife?"

Na saúde, o descaso se repete. Profissionais de enfermagemaguardam, desde janeiro, o pagamento do piso nacional da categoria, mesmo comrecursos carimbados (destinados exclusivamente à área) já liberados. Enquantoisso, a prefeitura anunciou a contratação de cantoras gospel para um eventoreligioso em março, com orçamento estimado em mais de R$ 200 mil – valorsuficiente para quitar meses de salários atrasados.

Sob decreto de emergência por estiagem, Canindé segue promovendofestividades, como o Carnaval, que consumiu milhares de reais em 2024. Para IsaBezerra, a prioridade é clara: 

"Enquanto parcelam nossos direitos, investem em pão e circo.É uma gestão que ignora o colapso na saúde e educação", critica Bezerra. 

A postura do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SE) também é alvode críticas. Apesar das denúncias recorrentes sobre desvios de prioridade, nãohá registro de auditorias recentes sobre os gastos com eventos. Enquanto isso,o Ministério Público também não parece tomar providências quanto as denúncias,diferente do que acontecia em gestões anteriores. 

A atual gestão se distancia do legado do ex-prefeito OrlandoPorto, o Orlandinho, falecido, que quitou salários mesmo durante a crise. "Elehonrou compromissos com empatia. Hoje, falta humanidade", comparaBezerra. 

A crise em Canindé reflete um padrão nacional: a escolha políticade privilegiar projetos de visibilidade em detrimento de direitosconstitucionais. Enquanto servidores recorrem ao Judiciário, a perguntapersiste: até quando gestores tratarão salários e saúde como custos, não comoprioridade?

Isa Bezerra, em apelo final disse: "Não peço esmola. Exijodignidade. Canindé tem recursos, mas falta vontade política."

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