Bahia

Zé Ramalho foi uma lição de identidade no São João de Paulo Afonso

Zé Ramalho foi uma lição de identidade no São João de Paulo Afonso

23/06/2025 12h03 Atualizada há 1 ano atrás
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Zé Ramalho foi uma lição de identidade no São João de Paulo Afonso

Show no São João prova que forró raiz e artista nacional/regional"dá certo".

Em meio a uma paisagem sonora cada vez mais globalizada nasfestas juninas, a aposta em Zé Ramalho surgiu como um manifesto cultural. Oartista paraibano chegou sem firula, armado apenas de sua voz marcante, seurepertório de ouro da MPB e a força das narrativas tipicamente nordestinas. Oresultado foi um contraponto poderoso, um resgate intencional da memóriaafetiva e da identidade regional que muitos temiam perdida.

O poder do show transcendeu o palco montado pela prefeiturano Lindinalva Cabral. A voz inconfundível de Zé Ramalho foi apenas a líder deum imenso coro formado pela plateia. Cada sucesso – um "Chão de Giz",um "Admirável Gado Novo", um "Avôhai" – era cantado emuníssono, palavra por palavra, num testemunho vivo da profundidade com que suamúsica toca gerações. Os pés não paravam, dançando naturalmente ao som dasanfona e do baião. Não foi apresentação, foi comunhão. As histórias de amor,luta e paixão do sertão, entoadas por Zé, não eram apenas ouvidas; eramsentidas e vividas pela multidão, "invadindo corações" num raromomento de união emocional.

O sucesso estrondoso do show de Zé Ramalho vai além danostalgia. Ele carrega uma lição contundente para produtores e mercado e mostraque investir em grandes artistas nacionais, especialmente aqueles que carregame celebram suas raízes regionais com autenticidade, não é apenas um gestocultural, é um acerto de público e de negócio. Enquanto modas passageirastentam se impor, Zé Ramalho demonstrou que a identidade genuína tem apelomassivo e gera conexão profunda. É sobre honrar a origem, ter "chão"cultural, e isso ressoa com força no público, gerando engajamento e lucro.

Mais do que um espetáculo musical, a apresentação de ZéRamalho foi um ato de resistência cultural vibrante. Ela gritou a Paulo Afonso aoNordeste e ao Brasil que o forró “pé-de-serra”, a poesia contundente, ashistórias do povo e a voz dos grandes ícones nacionais seguem vivos, pulsantese capazes de eletrizar multidões. O show foi a prova de que o "verdadeiroSão João", com sua alma calorosa e suas tradições musicais, não apenasresiste como é capaz de emocionar e empolgar como poucos. Zé Ramalho, reafirmouseu lugar e, de quebra, reacendeu a chama da cultura popular autêntica.

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