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A CIDADE ONDE NÃO HAVIA DEMAIS

A CIDADE ONDE NÃO HAVIA DEMAIS

27/07/2025 07h40 Atualizada há 1 ano atrás
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A CIDADE ONDE NÃO HAVIA DEMAIS

Havia uma cidade onde ninguém queria mais do que precisava. Não era utopia - era costume. SUFICIÊNCIA era o nome da cidade. Ela se escondia entre montanhas e riachos, invisível àos olhos apressados. Lá, os armários tinham o número exato de roupas para vestir a semana, nem a mais, nem a menos. Os mercados não faziam promoções do tipo "leve 3, pague 2", porque ninguém levava 3 se só precisava de 1. As casas não tinham garagem para mais de 1 carro. Os moradores se contentavam em caminhar. Mas não muito. Não havia excesso - não por escassez, mas por escolha. A palavra "sobra" era tão rara quanto "luxo"! Comer até saciar, descansar até recuperar, sorrir até bastar.

Tudo era na medida. Inclusive o silêncio, que sabia o momento exato de entrar quando a conversa já tinha dito o necessário. Os moradores de fora achavam aquilo estranho. "Vocês não sonham mais alto?", perguntavam os turistas. E pessoas respondiam com calma, sem pressa: sonhamos, mas não para acumular. Sonhamos para viver melhor". O crescimento por lá era como o das árvores: lento e constante. Mas não tanto! Nada de pressa, nada de vaidade. Crescia-se para dar sombra, e não para ser o maior. Lá o luxo maior é ter tempo, ter paz e dormir com a alma leve. Mas não demais! Não que fosse um lugar sem conflitos. Na cidade onde não havia demais, Tudo era SUFICIENTE.

Por: Jorge Papapá.

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