Geral Juvená,

Juvená, o Animal

Juvená, o Animal

07/08/2025 21h08 Atualizada há 1 ano atrás
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Juvená, o Animal

Na curva da rua J em Itapoan, entre o mar que nunca se cansae o sol que nunca falha, existiu uma figura que o mundo inteiro conheceu -mesmo depois da sua partida, ele ainda está por lá. É que JUVENÁ não é só umnome, é uma presença. Um cheiro de moqueca no ar, uma gargalhada que vem antesdo vento, um abraço que chega antes da mão.

Barbudo, místico, poeta, gente boa até o osso, JUVENÁ nãofalava com palavras difíceis, mas o que dizia entrava como aula. Tem quem digaque ele entendia mais de sociedade do que muito doutor de gabinete - e éverdade. Porque JUVENÁ escutava o povo, vivia o povo, era o próprio povo.

Ele comandava a barraca de praia como quem regia umaorquestra descalça. Assava um peixe na brasa com maestria, cutucava um clientedesanimado, dava conselhos de vida, resolvia treta de casal, e ainda arranjavatempo pra discutir política com firmeza de quem acreditava num mundo melhor.Sempre do lado de cá: do trabalhador, do povo que batalha.

Socialista convicto, coração aberto, defendia a gentesimples com a mesma força que armava um guarda-sol no vento. Não tinha temporuim - quando chovia, ele dizia que era bênção, quando fazia sol,ele agradecia,quando o mar subia, ele sorria e dizia que "o mar só cobra o que édele".

Mas por que o chamavam de Animal? Ah...isso ninguém sabe aocerto. Uns dizem que era porque ele vivia com intensidade, outros acham que erada época da juventude agitada. Mas todo mundo concorda com uma coisa: era umbicho raro, desses que a cidade abraçava, mas não conseguia amansar.

JUVENÁ era ponte entre o turista e a Bahia de verdade. Eraconselho de mãe com sotaque de rua. Era sabedoria com cerveja gelada, diabéticoe diabólico. Porteiro do mar de Itapoan - recebia quem chegava e abençoava quempartia.

No fundo, Juvená era aquilo que faltava o mundo. Alguém queolha no olho, escuta com calma, e fala com verdade.

E hoje, quando o sol começa a se deitar no Atlântico é comose o céu também parasse pra ouvir sua voz. Porque enquanto houver mar, areia,rede e conversa Boa, haverá JUVENÁ - de pé na beira da praia, comandando o vaie vem das ondas, como um bruxo poético das águas fundas de Itapoan.

Por: Jorge Papapá.

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