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Quem perde no Nordeste e quem pode faturar com o “pacote” do governo

Quem perde no Nordeste e quem pode faturar com o “pacote” do governo

14/08/2025 07h59 Atualizada há 1 ano atrás
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Quem perde no Nordeste e quem pode faturar com o “pacote” do governo

A tarifa imposta pelos EUA pode prejudicar setores com baixaagregação de valor e alta dependência do mercado americano, mas também trazervantagens para quem já busca alternativas comerciais. Vamos destacar aspossibilidades de adaptação para os polos industriais de cada estado doNordeste, como as fruticulturas na Bahia e Pernambuco e o setor têxtil emSergipe e Alagoas. O foco está em um pacote de apoio, criado para ajudar asempresas a diversificar seus mercados, incluindo medidas como crédito, redução detarifas e apoio logístico.

Na madrugada do Vale do São Francisco, as caixas de manga euva esperavam o caminhão. O telefone tocou antes do amanhecer: o comprador emMiami suspendeu o pedido até “reequilibrar custos” após o tarifaço dos EUA. Acena se repetiu, com sotaques diferentes, do polo químico de Camaçari aoComplexo de Suape. O golpe é real, mas a janela para virar o jogo também.

A cadeia de uva e manga no Submédio São Francisco vive deprazos e margens apertadas. Qualquer sobretaxa quebra o giro de caixa eencarece frete, seguro e embalagem é o tipo de operação que não consegue“absorver e seguir” sem repassar preço.

O setor altamente eficiente, porém sensível a tarifa emvolume. Um ponto percentual a mais num lote que cruza o Atlântico pode matar avantagem de escala por trimestre.

Desvio de rotas cria demanda por inteligência logística.Suape, Aratu-Candeias, Salvador e Maceió podem vender “pacotes” deconsolidação, transbordo e novas janelas rumo à África Ocidental, Caribe eOriente Médio.

Quem sobe na escada do valor agregado amortiza tarifa melhorque o primário. Molhos, enlatados, vinhos do semiárido, cafés especiais echocolates do sul da Bahia têm margem para reposicionamento de preço e destino.

Linhas emergenciais para capital de giro exportador,alongamento de prazos e seguro de crédito à exportação reativam pedidocancelado e evitam demissão preventiva. Sem lastro, o produtor “mata a safra”no caixa.

Reintegra mais gordo e drawback turbinado devolvem impostoembutido que o importador não quer pagar. É dinheiro de curto prazo para manterpreço competitivo.

Aduana com fast track para perecíveis, prioridade de janelaem portos e diplomacia econômica para abrir mercado na África e no Golfo. Adiferença entre perder e ganhar o contêiner é uma assinatura no tempo certo.

Encomendas governamentais para segurar carrinho girando(embalagens, EPIs, químicos) e metas de conteúdo local em obras e energia dãodemanda previsível enquanto o mercado externo respira.

Missões da Apex com foco em nicho (halal, kosher, étnico) emarketplaces B2B encurtam ciclo de venda para pequenas e médias do NE que nãotêm equipe internacional.

Em Camaçari e Aratu sentem a pancada nos insumos e na saídade derivados. A fruticultura de Juazeiro precisa de seguro de câmbio e janelaaduaneira; a celulose no extremo sul deve brigar por drawback e contrato defrete. Ganham porto, logística integrada e agro de valor: azeites, cafés,chocolates finos.

No estado de Alagoas usinas podem travar preço e usar linhasde giro para segurar safra. O polo químico (cloro-soda/PVC) deve acelerarsubstituição de insumo importado e contratos locais de energia, agenda decompetitividade que paga em 12 meses.

Em Sergipe a Indústria leve e confecção demandam consórciosde exportação para diluir custo de certificação e logística. Oportunidade emfertilizantes e materiais de construção regionais para obras do PAC e domercado privado.

A fatura não é só econômica. A bancada do Nordeste tembarganha rara: amarrar o “pacote” a metas mensuráveis por estado, desembolsoefetivo de crédito, devolução tributária com cronograma, janela portuáriadedicada e metas de abertura de mercado. Sem amarra, o anúncio vira foto; commétrica, vira emprego. Governadores e prefeitos que levarem lista de projetosexecutivos (e não PowerPoint) capturam a primeira onda.

Tarifa é política. Competitividade, também. O Nordeste quesobrevive ao tarifaço não é o que “espera passar a chuva”, é o que organizalista, fecha rota e cobra o que foi prometido com nota fiscal e CNPJ na mão.Quem fizer isso agora atravessa o trimestre; quem não fizer vai dar entrevistasobre “crise” enquanto vê o concorrente embarcar no próximo navio.

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