Geral Boi

Boi gordo, dívida magra

Boi gordo, dívida magra

26/08/2025 07h45 Atualizada há 12 meses atrás
Por:
Boi gordo, dívida magra

No coração do sertão e nas várzeas do oeste baiano, umanúncio soou como trovoada em dia de sol, o perdão de dívidas milionárias paraprodutores do agronegócio. Para uns, “justiça no campo”. Para outros, “banquetepara quem já tem boi no pasto”.

O pacote, articulado entre o governo federal e o estadual,promete aliviar o peso financeiro de pequenos e médios produtores que viramsuas contas sangrar com a seca, a queda nos preços e o custo explosivo deinsumos. A lógica, segundo Brasília e Salvador, é simples, sem fôlego parainvestir, o produtor encolhe, e a economia junto.

Lula foi direto ao anunciar a medida, “Queremos garantir queo crédito sirva para plantar e colher, não para afundar o agricultor em dívidaeterna.” Jerônimo Rodrigues, que conhece de perto o drama rural, reforçou que oplano baiano vai priorizar quem vive do trabalho próprio, não do arrendamentomilionário.

Nos bastidores, a grita vem dos grandes conglomerados doagro, acusados de tentar abocanhar o mesmo benefício sem se enquadrar noperfil. Já movimentos sociais e cooperativas comemoram a promessa decontrapartidas, acesso à tecnologia, recuperação de áreas degradadas e inclusãode agricultores familiares nas cadeias de produção.

Economistas avaliam que o perdão, se bem monitorado, podeser motor de retomada e fixar o homem e a mulher no campo, diminuindo o êxodorural. O risco, reconhecido pelo próprio governo, é que velhas práticas deconcentração voltem a se repetir.

Por ora, o recado oficial é de que a porteira está abertapara quem produz, mas fechada para quem usa o campo apenas como endereço depoder. E, no compasso das colheitadeiras, a Bahia aguarda para ver se essa novasafra de perdões vai germinar justiça social ou apenas engordar o pasto depoucos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários