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Bolsonaro e os homens do porão em julgamento

Bolsonaro e os homens do porão em julgamento

02/09/2025 13h54 Atualizada há 12 meses atrás
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Bolsonaro e os homens do porão em julgamento

O Supremo Tribunal Federal iniciou nesta semana o julgamentoque pode entrar para a história como o maior acerto de contas da democraciabrasileira com seus algozes. No banco dos réus, o ex-presidente Jair Bolsonaroe sete aliados íntimos, todos acusados de arquitetar uma tentativa de golpe deEstado para reverter o resultado das eleições de 2022. O roteiro, digno de umthriller político, envolve militares, espiões, ministros e um plano meticulosopara sabotar a alternância de poder, tudo isso sob o manto da “salvaçãonacional”.

A Procuradoria-Geral da República não economizou nasacusações, organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta doEstado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioraçãode patrimônio tombado. O núcleo duro da conspiração, apelidado nos bastidorescomo “os homens do porão”, inclui figuras como Mauro Cid, o ajudante de ordensque virou delator, e Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, que teriafacilitado a invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

O julgamento, presidido pelo ministro Cristiano Zanin erelatado por Alexandre de Moraes, promete ser um divisor de águas. A penamáxima pode ultrapassar 40 anos de prisão para alguns dos envolvidos. A defesa,por sua vez, tenta desqualificar delações, alegar cerceamento e até questionara competência do STF, estratégias que, até agora, não sensibilizaram osministros.

Enquanto isso, do lado de fora do tribunal, o clima é detensão. A sociedade civil acompanha com olhos arregalados, e até o governo dosEstados Unidos entrou na dança, sancionando ministros do STF em uma manobradiplomática que levanta suspeitas de interferência externa articulada porEduardo Bolsonaro.

O Brasil, que já viu de tudo, agora observa se a Justiçaserá capaz de encerrar o ciclo de impunidade que há décadas protege ospoderosos. Se condenados, os réus não apenas enfrentarão a prisão, mas também opeso simbólico de terem tentado rasgar a Constituição diante de uma naçãointeira.

A democracia, ferida mas não morta, aguarda seu veredicto.

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