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Brasil faz careta nos EUA e sobe no tablado mundial

Brasil faz careta nos EUA e sobe no tablado mundial

24/09/2025 08h09 Atualizada há 11 meses atrás
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Brasil faz careta nos EUA e sobe no tablado mundial


Num momento em que muitos esperavam diplomacia com meiaspalavras, o Brasil fez questão de levantar a voz. No discurso de abertura da80ª Assembleia?Geral da ONU, nesta terça?feira(23), o presidente Luiz Inácio Lula daSilva entregou ao mundo uma linha clara, a defesa da soberania, crítica às políticasunilaterais e apelo ao multilateralismo com firmeza e pragmatismo político. A fala, afinada com o tom históricodo Partido dos Trabalhadores, não foi umgesto de confrontação vazia, mas uma tentativacalculada de reposicionar o país como interlocutor do Sul Global, e,simultaneamente, de responder às pressões econômicas vindas dos Estados Unidos.

Lula não se limitou a declamações. Em poucas passagensdiretas, desconstruiu narrativas que vinham sendo usadas para isolar decisõesbrasileiras e colocou temas sensíveis, desde tarifas retaliatórias até medidassobre tecnologia e comércio, sob a luz pública. Ao reivindicar respeito àsoberania e igualdade entre nações, o presidente ofereceu não apenas crítica,mas alternativa, reformas nas instituições multilaterais e compromissos reaisem defesa do desenvolvimento sustentável e da justiça climática.

O tom adotado foi deliberadamente positivo para aliadosdomésticos e investidores externos, firmeza política com compromissopragmático. Lula disse que o Brasil não aceita chantagens econômicas, mas estápronto para dialogar e cooperar em pé de igualdade. Essa combinação, denúnciade práticas injustas com disposição para negociação, funciona como uma manobraestratégica para diminuir a assimetria nas relações com Washington, sem abrirmão da agenda social e ambiental interna que sustenta o pacto do PT com suabase.

Nos bastidores da assembleia, a postura pública foiacompanhada por encontros informais que sinalizaram uma busca por canais deentendimento. O aperto de mão registrado nos corredores pode ser lido comofotografia de um momento diplomático; o discurso, porém, é a peça que marca umaintenção, o Brasil quer ser ouvido e quer contar, com autonomia, suasprioridades. Para setores do agronegócio, a indústria e o mercado financeiro, amensagem foi clara, o país procura estabilidade institucional para manterinvestimentos, mas não renegociará sua autonomia estratégica.

A fala também serviu para galvanizar a plateia doméstica. Emlinguagem que remete às campanhas históricas do PT, Lula misturou referênciasao combate às desigualdades com apelos por solidariedade internacional. Para oeleitorado do partido, foi um aceno, liderança forte sem abandonar a agendasocial. Para a oposição, um sinal de que qualquer escalada diplomática terácusto político interno.

Ao fim, o recado ecoou com simplicidade e dureza, o Brasilquer respeito, parceria e justiça no palco global. Mais do que um discursocontra os Estados Unidos, foi um movimento para redesenhar o papel brasileirono mundo, com voz própria, disposição para coalizões e a convicção de quesoberania e desenvolvimento podem caminhar juntos.

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