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Guerra ao Made in Brazil e a conta que pode sorrir para lula

Guerra ao Made in Brazil e a conta que pode sorrir para lula

25/09/2025 08h44 Atualizada há 11 meses atrás
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Guerra ao Made in Brazil e a conta que pode sorrir para lula

Nas últimas 24 horas, o anúncio de tarifas de até 50% sobreuma lista de produtos brasileiros pelos Estados Unidos acendeu alarmes nocomércio exterior e nas cadeias produtivas nacionais. O choque inicial,explosivo para exportadores e indústrias, traz, porém, uma janela política queo Governo Lula pode usar como alavanca, transformar pressão externa emnarrativa de defesa soberana e progresso social.

A estratégia política do governo pode seguir três frentes.Primeiro, resposta técnica e jurídica junto a organismos multilaterais paraquestionar a proporcionalidade das medidas. Segundo, ampliação de acordoscomerciais alternativos e estímulo a mercados emergentes para diminuir adependência dos EUA. Terceiro, comunicação pública que transforme o conflito emnarrativa positiva, o presidente Lula e o PT podem aparecer como guardiões dosempregos e da soberania econômica, pressionando por apoio parlamentar emobilizando sindicatos e setores produtivos afetados.

Há riscos reais, perda de mercados, pressão sobre pequenas emédias empresas e aumento do custo de insumos importados. Mas existemoportunidades políticas de curto prazo. Ao liderar uma coalizão que unaempresários, trabalhadores e governadores em defesa de compensações e políticasde incentivo, o governo pode converter uma crise externa em capital políticodoméstico. Num cenário eleitoral cada gesto de defesa da economia pesa, e umpresidente visto como protetor do emprego tende a ganhar ressonância entre oseleitores.

O jogo diplomático também oferece alternativas. A mesa denegociações bilateral pode resultar em concessões setoriais, mecanismos decompensação ou cronogramas de transição que minimizem o choque. A habilidade doItamaraty e da equipe econômica em negociar tecnicamente, sem ceder à narrativaisolacionista, será decisiva.

No limite, as tarifas podem funcionar como catalisador,obrigam o Brasil a acelerar diversificação de parceiros, incentivar produçãolocal de insumos críticos e ampliar acordos regionais. Se bem conduzido, oepisódio não precisa ficar registrado apenas como derrota; pode entrar nanarrativa do governo como prova de capacidade de reação e defesa dos interessesnacionais, justamente o que o eleitorado mais valoriza em tempos de incertezaeconômica.

O desafio imediato é converter a urgência em medidasconcretas sem perder a compostura política. Para o Planalto, a oportunidadeestá clara, transformar uma medida punitiva estrangeira em agenda de proteçãosocial e industrial que reverbere positivamente nas urnas.

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