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Direita em xeque

Direita em xeque

25/09/2025 08h53 Atualizada há 11 meses atrás
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Direita em xeque

A implosão que se desenha no campo da direita brasileira nãoé um acidente, é a consequência previsível de um projeto político fundado emraiva, personalismo e táticas que queimam pontes mais rápido do que constroemalianças. O que hoje aparece como fraturas públicas, nomes que se batem,lideranças desmoralizadas, grupos que se autodissolvem em busca de protagonismo,tem um resultado claro, enfraquecimento coletivo diante de um adversário que,com voz e tática, busca governar com resultados e esperança.

Há, porém, sinais de que o campo conservador mais amploenxerga os riscos. Segmentos que antes fechavam fileiras agora questionamestratégias de confronto permanente e preferem discutir a construção dealternativas eleitorais competitivas em 2026. Essa busca por pragmatismo é aúnica estrada plausível para a recomposição, se vier acompanhada de autocriticae troca genuína de lideranças por quadros com mais habilidade parlamentar doque microrrevolucionária.

A implosão, entretanto, segue como cenário provável se aatual lógica prevalecer, radicalização interna, uso instrumental da mídia eincapacidade de traduzir indignação em políticas públicas factíveis. Afragmentação eleitoral que nasce dessa dinâmica favorece a consolidação decoalizões progressistas coordenadas, que se beneficiam tanto do desgaste quantoda agenda de oferta, educação, emprego, infraestrutura, que tem ressonância emdiferentes classes sociais.

Do ponto de vista estratégico, o campo democrático temvantagem decisiva se souber transformar o caos alheio em política ativa, semcair em triunfalismo. Defender instituições, ampliar diálogo com setoresempresariais e sindicais e apresentar soluções concretas, e não apenas retórica,é o antídoto mais eficaz contra a onda destrutiva que vem do outro lado. Apolítica é, no fim, capacidade de arregimentar e resolver problemas; quementrega só espetáculo perde o direito de falar em nome de governabilidade.

A recomposição da direita é possível, desde que passe por umbanho de realismo e programa. Sem isso, seguirá a implodir-se em público,deixando um espaço que quem quiser governar com projetos terá o tempo e aresponsabilidade de ocupar.

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