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O beijo de Nova Iorque que trouxe o mundo para Brasília

O beijo de Nova Iorque que trouxe o mundo para Brasília

25/09/2025 09h12
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 O beijo de Nova Iorque que trouxe o mundo para Brasília

O aperto de mão e a conversa rápida no corredor da ONU forammais do que cena diplomática, foram o ponto de partida de uma operação políticacosturada nos bastidores para reposicionar o Brasil no tabuleiro global, e paradar a Lula a narrativa de estadista que precisa no momento. Nos corredores,fontes próximas ao Itamaraty e ao gabinete presidencial descrevem um movimentoplanejado, Brasília não esperou apenas o encontro; provocou condições para queele acontecesse com vantagem simbólica.

A articulação começou semanas antes, com interlocuçõesdiscretas entre assessores econômicos brasileiros e equipes técnicasamericanas. A pauta era prática, comércio, clima e regras para investimentos,mas o desenho foi montado politicamente para que o presidente brasileiroaparecesse como quem oferece estabilidade e cooperação, não quem suplica porfavores. Resultado, a aproximação virou espaço para o Planalto reafirmarprioridades industriais e a defesa do emprego, enquanto constrói traçãointernacional para medidas de mitigação de eventuais medidas protecionistas.

No centro da trama esteve o diálogo com governadores eempresários, alinhando mensagens para que a resposta brasileira fosse firme earticulada. O PT, longe de um mero observador, atuou como coordenador dessafrente social, garantindo que sindicatos e movimentos populares entrassem nanarrativa pública, não como vitimização, mas como instrumento de pressãolegítima por compensações e salvaguardas. Essa tática transformou tensãodiplomática em oportunidade doméstica, Lula fala aos mercados e às ruas aomesmo tempo.

Também houve jogo de cena, declarações calculadas,vazamentos seletivos e encontros com atores multilaterais que ajudaram aenquadrar qualquer ação americana como questão bilateral com risco derepercussão global. Assim, o Brasil não só ganhou visibilidade, mas tambémtempo para negociar tecnicamente medidas compensatórias, enquanto politicamentese apresentava como ator responsável e propositivo.

O risco existe, decisões abruptas de parceiros podemprejudicar exportadores em curto prazo, mas a estratégia é clara, converterpressão externa em agenda de fortalecimento industrial e diversificação demercados. Na leitura do Palácio, essa postura reforça a imagem de Lula comoarticulador capaz de proteger empregos e construir soluções pragmáticas, umtrunfo irrecusável em clima eleitoral.

O filme dos bastidores mostra, portanto, menos improviso emais costura política. Quem puxou o fio foi uma coalizão de diplomacia,economia e movimentos sociais, comandada por um governo que aposta na gestão dacrise como palco para demonstrar competência. Se o fio não arrebentar, a cenade Nova Iorque terá sido menos um acaso e mais o primeiro ato de uma nova fasebrasileira no mundo.

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