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Quem realmente sai ganhando com a isenção do IR que sacode Brasília

Quem realmente sai ganhando com a isenção do IR que sacode Brasília

30/09/2025 08h17 Atualizada há 11 meses atrás
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Quem realmente sai ganhando com a isenção do IR que sacode Brasília

A promessa de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$5 mil por mês chegou como melodia eleitoral aos ouvidos de milhões, agora, norastro das negociações acaloradas, pergunta-se quem paga a conta. Mais do quealívio fiscal imediato, a medida redesenha benefícios e perdas, do saláriodoméstico à conta pública, há vencedores claros, e um tabuleiro político quepode favorecer o governo no curto prazo.

Pensionistas e aposentados que hoje se aproximam do tetoproposto aparecem entre os beneficiados, mas de forma desigual, a composiçãoreal do ganho depende de como as regras de isenção se articulam com deduções ebenefícios já existentes e se haverá revisão nas faixas concisas que hojebeneficiam contribuintes com dependentes ou despesas médicas. Servidorespúblicos com salários mais baixos terão ganho relativo, mas o efeito é menostransformador para carreiras com ganhos totais maiores.

No campo tributário, a queda na arrecadação é o ponto demaior disputa. Estimativas preliminares feitas por técnicos indicam reduçãobilionária na receita federal anual; o valor exato depende de ajustes na tabelae de eventuais compensações, como alterações de alíquotas superiores, revisãode benefícios fiscais ou corte de despesas. Estados e municípios podem sentirefeitos indiretos se a compensação não for clara, pressionando serviços que jáoperam no limite.

Há vencedores indiretos também, setores orientados aoconsumo popular, varejo de pequeno porte, eletrodomésticos básicos e serviçoslocais, tendem a observar aumento de vendas no curto prazo, o que pode refletirem emprego e arrecadação via outros tributos. O mercado financeiro e analistasfiscais, por sua vez, observam com cautela, perda de receita pode ser vistacomo risco para metas fiscais, influenciando a confiança e a trajetória deinvestimentos no Brasil.

Politicamente, a isenção é moeda de impacto imediato. Para oExecutivo, anunciar a medida em um momento de sensível disputa pela narrativapública tem potencial para reforçar a percepção de compromisso com a renda dasfamílias, ampliando a base de apoio entre eleitores de baixa e média renda. NoCongresso, a articulação necessária para aprovar alterações na tabela expõeacordos e trocas que definirão o alcance final da proposta.

A grande incógnita segue sendo o ajuste fiscal, semcompensações claras, o benefício social pode endurecer pressões sobre programase investimentos públicos, impondo escolhas duras no horizonte das contaspúblicas. Resta saber se o alívio no presente será traduzido em melhoriaestruturada de renda ou apenas em alívio temporário de caixa familiar.

Pergunta final, quem ganha mais, o contribuinte que recebe oalívio imediato ou o Estado, que pode ver seu espaço fiscal reduzido? Aresposta dependerá das contrapartidas que Brasília escolher, cortes, impostosnovos ou uma aposta no crescimento econômico como compensação. Enquanto isso, apromessa de R$ 5 mil virou pauta, calor e cálculo político, e seguemovimentando mesas, votos e planilhas nas próximas semanas.

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