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Bilhete premiado do imposto zero. Quem ganha e quem perde

Bilhete premiado do imposto zero. Quem ganha e quem perde

02/10/2025 06h54 Atualizada há 11 meses atrás
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Bilhete premiado do imposto zero. Quem ganha e quem perde


A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil,aprovada pela Câmara, age como um verdadeiro ajuste de microscópio nas contasdomésticas, para muitos, significa fôlego imediato; para outros, uma vantagemsimbólica que não resolve gargalos estruturais. A medida promete um alíviodireto no contracheque, mas revela limites claros quando se examina quemefetivamente beneficia e onde as lacunas permanecem.

Quem perde, porém, não é um grupo homogêneo. Pequenosdetentores de rendimentos variáveis, profissionais liberais com rendimentoirregular e cidadãos residentes em estados com alta dependência de repassesfederais podem enfrentar efeitos colaterais. Com a queda na arrecadação federalprevista, há risco de diminuição de fundos de contrapartida para programasestaduais e municipais que atendem justamente os mais vulneráveis. Tecnocratasalertam que, se as compensações propostas não vingarem, obras e repasses sociaispoderão sofrer estrangulamento nos próximos meses.

O desenho da isenção também cria zonas cinzentas. Famíliascom dois salários modestos podem não ver ganho proporcional quando a isenção éaplicada individualmente; por outro lado, arranjos de renda informal continuamfora do alcance da medida, preservando desigualdades de fato. Além disso,medidas compensatórias previstas no texto discutido na Câmara, como ajustes emdeduções e tributos sobre renda mais alta, ainda demandam articulação no Senadopara evitar que a economia penda para um ajuste fiscal abrupto.

Politicamente, a aprovação envia dois sinais claros, por umlado, a base governista conquistou um resultado palpável que pode sercomunicado como resultado de governo; por outro, abre espaço para oposiçãoexplorar possíveis perdas fiscais e questionar prioridades orçamentárias. Aeconomia real, contudo, dependerá da calendarização das compensações e daresposta dos estados.

No plano prático, o cidadão comum precisa de respostasobjetivas, quanto vai ganhar no bolso e quando. A promessa oficial é de impactojá nas próximas declarações e na folha, mas a execução exige regulamentação eintegração com a Receita Federal. Para prefeitos e governadores, a hora é derecalcular repasses e projetar cenários de curto prazo.

A foto final é mista, há vencedores concretos entretrabalhadores formais de baixa e média renda e aposentados que verão aumento norendimento disponível; há também setores vulneráveis à retração de recursospúblicos que podem perder com a falta de compensação imediata. A isenção é umpasso político e social relevante, mas sua eficácia real ficará refém daslinhas de compensação que venham do Senado e das prioridades que Brasíliadecidir preservar.

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