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Lula corta o imposto dos pobres e deixa os ricos de orelha em pé

Lula corta o imposto dos pobres e deixa os ricos de orelha em pé

04/10/2025 18h25 Atualizada há 11 meses atrás
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Lula corta o imposto dos pobres e deixa os ricos de orelha em pé

O pacote social que desembarcou no Congresso nesta semananão é apenas um anúncio de consumo imediato, virou motor de uma engenhariatributária que promete redesenhar o mapa de quem paga o que no Brasil. Com opresidente Lula no centro da operação, aliados comemoram um avanço que misturacálculos sociais com cálculo políticom e que, segundo ministros e parlamentaresdo PT, pode transformar a austeridade em agenda de inclusão.

Na prática, o movimento tem dois vetores, primeiro, blindaras políticas sociais já em curso para dar resposta rápida às expectativasgeradas pelo anúncio presidencial, segundo, construir uma narrativa fiscal quecoloque o ônus do ajuste sobre quem, na avaliação do governo, tem maiscapacidade contributiva. Para o núcleo do PT, trata-se de resgatar a ideia dejustiça tributária, uma bandeira histórica do partido, agora com apelo imediatoà vida das pessoas.

A articulação, conduzida por ministros da Fazenda e da CasaCivil, envolve negociações intensas com líderes de bancada e com o relator naComissão de Constituição e Justiça. Estrategistas petistas destacam que amudança não será apenas técnica, ela busca mobilizar a opinião pública aotransformar a visão sobre impostos, mostrando que é possível aumentar proteçãosocial sem penalizar as camadas populares.

Críticos, sobretudo nas bancadas empresariais, já alertampara o risco de aumento da carga e para possíveis efeitos sobre investimentos.A resposta do governo tem sido de contenção, a equipe econômica defende que asmedidas são calibradas para evitar distorções e que o foco será sobre lucrosextraordinários, evasão fiscal e incentivos regressivos que beneficiam poucos.Em bastidores, parlamentares do PT apostam que a combinação de benefício socialvisível e discurso moral sobre justiça tributária ajudará a ampliar apoiolegislativo.

Além do desenho tributário, a pauta trouxe outro elemento, aexpectativa de que o Legislativo aprove medidas de combate a práticas fiscaisopacas. Propostas para reforçar fiscalização, modernizar cruzamentos de dados eendurecer penas por fraude fiscal aparecem como contrapartida política paragarantir que a arrecadação adicional venha de onde o governo diz querer buscar.

O processo, segundo interlocutores próximos ao Planalto,será gradual e sujeito a negociação. A estratégia é apresentar mudançasestruturadas, mas com leitoras e leitores visíveis para a população agora, demodo a consolidar o eleitorado que vê no pacote social uma mudança de rumos. Emresumo, a aposta é transformar uma iniciativa social em case fiscal, com Lula àfrente como condutor de uma virada que mistura pragmatismo e justiça.

Se a manobra der certo, o governo conseguirá trazer alívioimediato para famílias e, ao mesmo tempo, plantar as bases para um sistematributário mais progressivo. Se houver resistências fortes, a batalha noCongresso promete ser dura — e o debate, inflamado. Por ora, na visão doPalácio, trata-se de política com propósito, reduzir desigualdades sem abrirmão da responsabilidade fiscal.

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