Geral Governo

Governo entrega o Sertão ao milho e paralisa o setor leiteiro

Governo entrega o Sertão ao milho e paralisa o setor leiteiro

15/10/2025 14h20 Atualizada há 10 meses atrás
Por:
Governo entrega o Sertão ao milho e paralisa o setor leiteiro

No Sertão sergipano, a cadeia produtiva do leite foiempurrada para a sombra enquanto o poder público mira no milho. Produtor rural,com rosto no sol e mãos no curral, resume assim a situação, Erivan, masconhecido como “Nêngo da Auto Peças”, “confio no presidente, mas esse terceiromandato foi uma tragédia para nossa renda”. É dessa tensão que nasce areclamação que chega ao Blog Dimas Roque, o abandono, desemprego e êxodo ruralnum dos polos com maiores produtores de leite do país.

Esses números, trazidos pela fala do produtor, desenham umaeconomia local cujo operário é a família rural. É dela que sai o leite, oqueijo e a circulação de renda nas pequenas cidades do interior.

A cadeia do leite sofre hoje com a ausência de políticas queagreguem valor ao produto — faltam programas de apoio à industrialização local,logística eficiente e acesso a mercados que tornem nosso queijo e leitecompetitivos, enquanto produtores denunciam que linhas de crédito e incentivosestão sendo direcionadas ao plantio de milho, cultura sazonal que não garanterenda contínua, a combinação desses fatores aumenta a informalidade e aprecariedade do trabalho rural e acelera o êxodo para a cidade, com famíliasinteiras deixando o campo por falta de alternativas sustentáveis.

Na avaliação do produtor ouvido, “mil tarefas de milhoempregam 5 pessoas em 60 dias. E uma queijaria que pega 5 mil litros emprega100 pessoas o ano todo.” É a comparação entre trabalho sazonal e empregopermanente que sustenta o argumento de que a política atual empobrece o Sertão.

A transformação produtiva tem consequência imediata sobrecomunidades como, fechamento de comércios locais, redução de renda nascidades-polo, queda na autoestima coletiva e aceleração do êxodo rural.Politicamente, o narrador registra uma tristeza com efeitos eleitorais.

O quadro, segundo o depoimento, também reflete um conflitode prioridades, enquanto a retórica oficial se aproxima do agronegócio, aprodução familiar do leite pede políticas de garantia e permanência no campo.

O diagnóstico vem acompanhado de pedidos práticos como aabertura de um grande debate público em que se discutam crédito direcionado àcadeia do leite, programas de agregação de valor, incentivos à indústria locale políticas que favoreçam a permanência da família no campo. “Venham criar umgrande debate”, conclama o produtor, buscando recuperar autoestima e mercado aoproduto local.

O relato é um espelho de tensões que atravessam o Brasilrural com modernização versus sustentabilidade das economias familiares;políticas que incentivam culturas de escala versus cadeias locais de produção;decisões de crédito que redesenham territórios. Se as autoridades erepresentantes estiverem dispostos a ouvir, há uma pauta concreta para açãoimediata, e uma chance de evitar que milhares de empregos e histórias de vidasejam substituídos pela lógica da colheita de curto prazo.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários