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Cláudio Castro transforma o Rio em campo de guerra e Lula reage

Cláudio Castro transforma o Rio em campo de guerra e Lula reage

29/10/2025 08h10 Atualizada há 10 meses atrás
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Cláudio Castro transforma o Rio em campo de guerra e Lula reage

A megaoperação policial realizada nos complexos da Penha edo Alemão, no Rio de Janeiro, ontem, 28 de outubro, entrou para a história comoa mais letal já registrada no estado. Foram pelo menos 64 mortos, incluindoquatro policiais, além de dezenas de feridos e 81 presos, segundo balançooficial da Polícia Civil. O governador Cláudio Castro (PL) tentou justificar aação como um “duro golpe” contra o Comando Vermelho, mas o que se viu nas ruasfoi um cenário de guerra, com moradores aterrorizados e denúncias de violaçõesde direitos humanos. O episódio foi duramente criticado por organizações sociaise repercutiu até no jornal norte-americano The New York Times, que classificoua operação como a mais sangrenta da história fluminense.

Enquanto Castro buscava responsabilizar o governo federal,alegando falta de apoio, o Ministério da Justiça rebateu afirmando que nãohouve solicitação formal de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). O presidente LuizInácio Lula da Silva, por sua vez, tem defendido um modelo de segurança públicabaseado em inteligência, integração entre União e estados e investimentossociais em territórios dominados pelo crime. O programa “Segurança comCidadania”, lançado em 2025, prevê recursos para policiamento comunitário,ampliação de centros de juventude e fortalecimento da investigação contra ocrime organizado. Castro, no entanto, atacou publicamente a proposta,chamando-a de “ingênua” e “leniente”, preferindo apostar em operações deconfronto que resultam em tragédias como a de ontem.

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e aDefensoria Pública da União já solicitaram explicações ao governo estadualsobre a condução da operação, questionando a proporcionalidade do uso da forçae a ausência de protocolos que garantissem a segurança da população civil. Paraespecialistas, a insistência de Castro em militarizar o enfrentamento ao crime,sem coordenação com o governo federal, revela mais uma estratégia política doque uma política de segurança efetiva. O saldo de mortos, armas apreendidas ecomunidades traumatizadas reforça a percepção de que o governador buscacapitalizar politicamente em cima da violência, enquanto a vida de moradorespobres segue sendo tratada como dano colateral.

O contraste entre os dois projetos é evidente, de um lado,Lula aposta em inteligência, prevenção e integração; de outro, Castro insisteem operações espetaculares que terminam em carnificina. A tragédia no Alemão ena Penha expõe não apenas a falência da política de segurança do Rio, mastambém a incapacidade do governador de dialogar com a União. No fim, quem pagaa conta é a população, que vê suas ruas transformadas em trincheiras e seusdireitos pisoteados em nome de uma guerra que só fortalece o ciclo daviolência.

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