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Bahia Sem Fome reafirma compromisso com povos indígenas durante abertura do 7° Acampamento Terra Livre

Bahia Sem Fome reafirma compromisso com povos indígenas durante abertura do 7° Acampamento Terra Livre

04/11/2025 08h57 Atualizada há 10 meses atrás
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Bahia Sem Fome reafirma compromisso com povos indígenas durante abertura do 7° Acampamento Terra Livre

O Governo do Estado marcou presença na abertura da 7ª ediçãodo Acampamento Terra Livre (ATL), na área verde da Assembleia Legislativa daBahia (ALBA), em Salvador, nesta segunda-feira (3). A mobilização, realizadapelo Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia, o Mupoiba,que conta com o apoio do governo, teve início neste domingo (2) e vai até apróxima quinta-feira (6).

Representantes dos poderes Legislativo, Judiciário eExecutivo participaram da mesa de abertura do evento, ao lado de parceirosindigenistas e lideranças dos mais de 33 povos originários existentes noestado. Com o tema “Clima e território: dois direitos, uma luta”, o ATL é “ummomento de articulação, resistência, espiritualidade e fortalecimento dos povosindígenas”, segundo os coordenadores gerais do Mupoiba, Patrícia Krinsi eAgnaldo Pataxó Hã Hã Hãe.

Ao som dos maracás de mais de mil indígenas presentes naPlenária Jurema, gestores de secretarias estaduais mostraram o apoio epreocupação do governador Jerônimo Rodrigues com relação às pautas indígenas.“Nós temos buscado fortalecer as políticas públicas de agricultura familiar, decombate à fome, de segurança alimentar. E, no nosso Bahia Sem Fome, os povosindígenas são públicos prioritários”, destacou o coordenador-geral do programa,Tiago Pereira, durante a mesa de abertura.

Direito à alimentação garantido

Eram 11h30 quando um aroma de comida caseira e saborosa jáultrapassava o espaço da cozinha comunitária instalada para atender 1,8 milparticipantes do ATL. O equipamento, gerenciado por uma organização indígena eapoiado pelo Bahia Sem Fome, distribui refeições diárias durante todos os diasdo evento, incluindo café da manhã, almoço e jantar.

As anciãs Helena Isabel (Atikun), Beatriz Carvalho (Tuxá) eMaria da Conceição (Pankararu) vieram, respectivamente, das cidades deChorrochó, Ibotirama e Paulo Afonso e chegaram ontem a Salvador em caravanaspara participar dos quatro dias de articulação. Foram as primeiras a chegar àfila do almoço, preparado por cozinheiras indígenas, entre elas, Sandra Maria(Pankararu-PE), que refogava na manteiga com alho e cheiro verde o repolho.Segundo ela, basta uma pitadinha de pimenta do reino e muito amor: “Estamosservindo, no café da manhã, cuscuz, ovo, carne, farofa. O almoço começa a serdistribuído às 12h”.

O ATL-BA é reconhecido como o maior espaço de mobilizaçãodos povos indígenas da Bahia. O Mupoiba se constitui em um território político,cultural e espiritual de afirmação de direitos, de fortalecimento dasidentidades e de construção coletiva de caminhos para a justiça e a dignidade.

“Temos a clareza que nós não vamos vencer a fome só comdistribuição de alimentos, com cozinhas comunitárias, e a gente se irmana nasreivindicações de vocês, porque é importante a demarcação das terras, oreordenamento fundiário, a reforma agrária, para que a gente possa vencer afome e produzir alimentos com dignidade, com prosperidade e com fortalecimentoda vida”, finalizou Tiago Pereira.

De acordo com a reitora da Universidade do Estado da Bahia,Adriana Marmori Lima, que também integrou a mesa de abertura do ATL, atualmentea Bahia possui 233 etnias indígenas registradas em todo o estado. Segundoinformações do Mupoiba, a Bahia é o estado brasileiro que hoje abriga a segundamaior população indígena do país. São cerca de 280 mil indígenas, dos quais,aproximadamente 80 mil vivem em territórios tradicionalmente ocupados,distribuídos em 54 municípios. Os demais estão presentes nas áreas urbanas dos417 municípios baianos.

Foto: Camila Fiúza.

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