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Presidente da França, Emmanuel Macron é recebido com celebração da cultura afro-baiana

Presidente da França, Emmanuel Macron é recebido com celebração da cultura afro-baiana

06/11/2025 07h27 Atualizada há 10 meses atrás
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Presidente da França, Emmanuel Macron é recebido com celebração da cultura afro-baiana

na abertura do Festival Nosso Futuro em Salvador

Em um evento que mostrou a diversidade da cultura da Bahia,o presidente da França, Emmanuel Macron, foi recebido no Museu de Arte Modernada Bahia (MAM-BA), nesta quarta-feira (5), no Dia Nacional da Cultura, para aabertura do Festival Nosso Futuro Brasil–França: Diálogos com a África. Oevento transformou o museu em um espaço de encontro entre história, arte eancestralidade.

Também estiveram presentes no evento 300 jovens do Brasil,França e Benin, participantes do Fórum Nosso Futuro Brasil–França: Diálogos coma África – Nossos Lugares em Partilha, principal iniciativa do festival, quepropõe reflexões sobre justiça territorial, inclusão social, igualdade degênero e culturas afrodescendentes. Entre eles, 100 são baianos selecionadospara participar do fórum por meio de políticas públicas estaduais.

Visita ao Pelourinho - Macron foi recebido no aeroporto pelogovernador Jerônimo Rodrigues. Em seguida, fez um passeio turístico peloPelourinho e recebeu carinho pelas ruas do Centro Histórico. Durante o trajeto,a Banda Feminina Didá, o Bloco Afro Olodum e os Filhos de Gandhy mostraram aforça e beleza da cultura baiana. Em seguida, Macron se dirigiu ao MAM-BA paraparticipar da abertura do festival.

Na chegada ao museu, o presidente foi conduzido pelo MuseuVivo do Patrimônio Imaterial, proposta que reuniu representações de expressõesculturais emblemáticas da Bahia.

Fizeram parte do circuito o Zambiapunga de Nilo Peçanha, aOrquestra de Berimbaus Afinados Dainho Xequerê, a Deusa do Ébano do Ilê Aiyê, odançarino Elivan Conceição, o Forró do ABC com capoeiristas convidados, Rita daBarquinha, de Saubara, mestra da manifestação tradicional que celebra a pesca ea fé nas águas, além da tradicional baiana, compondo um mosaico demanifestações que representam a diversidade e a força simbólica da culturabaiana.

Exposição de Roméo Mivekannin – Macron visitou também aexposição “O Avesso do Tempo”, do artista beninense Roméo Mivekannin, em cartazno MAM-BA. A mostra, originalmente apresentada no Louvre-Lens, na França,amplia o diálogo entre as instituições e destaca a Bahia como território dememória viva. A visita foi conduzida pelo próprio artista.

As 11 obras expostas revisitam ícones da pintura ocidentalsob uma perspectiva decolonial, inserindo o corpo negro como protagonista eprovocando reflexões sobre autoria, representação e silenciamento na históriada arte.

O presidente francês destacou a cultura como um símbolo daconexão entre Brasil, França e África. “Agradeço o acolhimento caloroso dosbaianos. A parceria construída com o presidente Lula se reflete também nasdiscussões que este fórum vai promover. Desejo que os jovens aqui presentescontinuem com as discussões sobre o futuro do mundo, com criação e inovação”.

Concerto Para o Futuro - Um dos momentos centrais da noitefoi o Concerto Para o Futuro, sob regência da Orkestra Rumpilezz e comparticipações de Carlinhos Brown, que cantou com a artista senegalesa SennyCamara. A noite teve ainda emoção com Lazzo Matumbi e Larissa Luz.

À frente da mediação estavam os artistas Sulivã Bispo eMariella Santiago. Participaram também da cerimônia o filósofo e historiadorcamaronês Achille Mbembe, referência internacional em estudos sobrepós-colonialismo e cultura africana, e a poeta, ensaísta e dramaturga LedaMaria Martins, cuja obra investiga memória, performance e ancestralidadeafro-brasileira.

O encerramento foi feito por uma intervenção bilíngue depoesia falada com o grupo baiano Slam das Minas e a poeta Noferima Fofana,campeã mundial de slam.

“A vinda do presidente Macron à Bahia e a escolha do estadopara a realização de um festival grandioso como este, reforça o papel da nossaterra como ponte viva entre a África, o Brasil e a Europa. Cenário ideal paraessa que é uma celebração da juventude, da cultura e da vocação baiana para odiálogo entre povos e identidades”, destacou o governador Jerônimo Rodrigues.

O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, definiu oevento como um marco das relações culturais entre os países e celebrou aescolha da Bahia enquanto território de inspiração e trocas.

“A Bahia está muito honrada de sediar e inspirar umadiscussão como essa, que com certeza é um legado muito importante desse momentoem que nós celebramos 200 anos de relações diplomáticas e culturais com aFrança. Estamos muito felizes por proporcionar esse momento nos nossosequipamentos culturais do estado da Bahia.”

+ Sobre o Festival: O Festival Nosso Futuro Brasil-França:Diálogos com África faz parte da Temporada França–Brasil 2025, iniciativa querealiza a circulação de projetos culturais entre os dois países e a África,fortalecendo diálogos artísticos, históricos e educativos. Durante o festival,Salvador recebe exposições, filmes e shows que destacam a diversidade e ariqueza das culturas africanas e afro-brasileiras.

O festival foi organizado pelo Institut français e pelaEmbaixada da França no Brasil no âmbito da Temporada França-Brasil 2025, emparceria com o Governo Federal Brasileiro (Ministério da Cultura), UniversidadeFederal da Bahia, Governo da Bahia, Prefeitura de Salvador, Accor, AliançaFrancesa, Salvador Bahia Airport, CUFA Brasil e CUFA França, a Fundação deInovação pela Democracia, o Conselho Geral de Seine Saint-Denis, a Cidade e aMetrópole de Montpellier, a Cidade de Paris, a Cidade de Saint-Ouen.

Programação SecultBA - A Secretaria de Cultura do Estado daBahia (SecultBA) participa ativamente da programação do festival, realizadoentre os dias 5 e 8 de novembro. Na quinta-feira (6), o Largo Quincas BerroD’água recebe os shows da senegalesa Senny Camara e da artista baiana MárciaShort, a partir das 19h, com entrada gratuita.

Os museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural daBahia (IPAC) abrigam quatro mostras de relevância internacional. Além daexposição “O Avesso do Tempo”, estão expostas “Fatumbi – o mensageiro”, dePierre Verger e Emo de Medeiros, no Museu de Arte da Bahia (MAB); além da“Coleção_FRAC no MAC_Bahia” e “Ecos através do Atlântico”, de Olufèmi HinsonYovo, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia).

As mostras refletem os diálogos históricos e contemporâneosentre os três territórios e reafirmam o protagonismo da Bahia na circulaçãointernacional da arte e da cultura afro-diaspórica.

Já a Sala de Cinema Walter da Silveira e o Cinema Saladearteda UFBA recebem o festival com programação gratuita que reúne 24 filmes e duasmesas de debate com especialistas convidados, de 6 a 9 de novembro.

O ciclo é baseado no catálogo da Cinémathèque Afrique, umdos maiores acervos de cinema africano do mundo, e acontece pela primeira vezfora do continente. Reunindo produções de 12 países africanos e da diáspora, ofestival propõe reflexões sobre ancestralidade, urbanidade e reconstrução denarrativas sob o tema “Memórias e Histórias para o Futuro”.

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