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O celular voador

O celular voador

17/12/2025 08h00 Atualizada há 8 meses atrás
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 O celular voador

Era uma manhã de terça-feira em Brasília, dessas em que osol mal acorda e já se esconde atrás das nuvens pesadas. No apartamentofuncional do deputado Antônio Doido, o clima não era de café com pão, mas desirenes e botas batendo no corredor. A Polícia Federal chegava com seusmandados de busca e apreensão, e o parlamentar, mais nervoso que gato em dia defaxina, decidiu que seus segredos não poderiam ser descobertos.

Os agentes bateram à porta, anunciaram a operação, e odeputado, em vez de abrir com dignidade, correu para o quarto como se fosseprotagonista de novela mexicana. Lá, agarrado aos celulares que guardavamconversas e talvez contratos suspeitos, tomou a decisão mais surreal dapolítica recente, ele arremessou os aparelhos pela janela. Os vizinhos, queesperavam ver passarinho ou folha seca, viram cair na grama dois celularesvoadores, pousando como se fossem pombos cansados. A cena virou piadainstantânea entre os policiais, que recolheram os aparelhos com a calma de quemjá viu de tudo.

O espetáculo grotesco ganhou contornos de farsa. AntônioDoido, suando em bicas, tentava explicar que não sabia como os celulares tinhamido parar lá fora, enquanto os agentes anotavam cada detalhe com ironiacontida. O apartamento, cheio de papéis e lembranças de campanhas, virou palcode uma tragicomédia e o deputado que acreditou que a gravidade poderia salvarsua reputação. No fim, os celulares voaram, mas a vergonha ficou. Brasília,acostumada a escândalos, ganhou mais um capítulo para rir e compartilhar, o diaem que a política brasileira descobriu que provas também têm asas.

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