| Imagem: SecultPa |
O Oxente Cangaço não é apenas uma celebração folclórica. Eleresgata a memória de figuras como Lampião e Maria Bonita, símbolos deresistência e contradição, e coloca Paulo Afonso no mapa cultural da Bahia. Aescolha de investir pesado no evento revela uma estratégia de ocupar espaçossimbólicos, em um momento em que a política local enfrenta críticas sobregestão e transparência. Cultura, aqui, é também narrativa de poder.
A população comparece, e a atmosfera é de festa misturadacom reflexão. Enquanto artesãos exibem suas peças e pesquisadores discutem ahistória do cangaço, lideranças políticas circulam entre os estandes,reforçando alianças e marcando presença. O evento, portanto, funciona comovitrine dupla, de identidade cultural e de articulação política. O que pareceapenas celebração popular se revela um campo de disputa por legitimidade.
O impacto é imediato, e Paulo Afonso ganha visibilidaderegional, e a prefeitura se coloca como guardiã da memória sertaneja. O OxenteCangaço mostra que, em tempos de desgaste institucional, a aposta na tradiçãopode ser tão estratégica quanto qualquer discurso eleitoral.
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