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A Gestão ética e participativa de Mário Galinho sob suspeita

A Gestão ética e participativa de Mário Galinho sob suspeita

16/04/2026 03h00
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A Gestão ética e participativa de Mário Galinho sob suspeita

Durante sua campanha, Mário Galinho construiu sua narrativaem forte oposição às administrações anteriores de Paulo Afonso, na Bahia. Eledenunciava gestões “autoritárias”, marcadas por favorecimentos,superfaturamentos e baixa transparência. O plano de governo prometia uma viradaradical, democracia participativa, uso intensivo de tecnologia, combate àcorrupção e valorização dos servidores públicos. “O dinheiro do povo é sagrado!Seremos rígidos, inflexíveis sobre tudo que não for lícito”, dizia no plano degoverno.

Entre as principais propostas apresentadas pelo entãocandidato Mário Galinho estava a promessa de modernizar a gestão pública dePaulo Afonso com forte uso de tecnologia e transparência. O plano previa a unificaçãode bases de dados para monitorar gastos e processos, a criação de um dashboardde gerenciamento em tempo real para todas as secretarias e a implantação da PlataformaPAOne, que digitalizaria documentos e reduziria em até 95% o uso de papel.Também foi anunciada a oferta de internet gratuita em áreas periféricas erurais, por meio de antenas via satélite, além da criação de Centros Integradosde Gestão Rural e Urbana para aproximar serviços públicos das comunidades.Outras medidas incluíam a definição de indicadores de desempenho para avaliarpolíticas públicas e o uso de geoprocessamento da frota veicular, com promessade economia de até 30% em combustível. Essas iniciativas, segundo o plano,representariam uma ruptura com a burocracia e a ineficiência das gestõesanteriores, colocando a tecnologia a serviço da população.

A ideia central era devolver ao cidadão o protagonismo nagestão municipal. Conselhos, conferências e orçamento participativo seriaminstrumentos para garantir voz ativa da população. O discurso era de rupturacom a burocracia e aproximação com o povo, especialmente em áreas rurais ebairros historicamente negligenciados.

Agora, já como prefeito, Galinho enfrenta acusações derepetir práticas que antes condenava. A crítica que fazia às gestões anteriores,autoritarismo, falta de transparência e favorecimentos, ecoa novamente, masdesta vez direcionada à sua própria administração. O contraste entre promessa eprática levanta dúvidas sobre a real efetividade da “gestão ética eparticipativa” e sobre o impacto social que Paulo Afonso de fato experimenta.

O caso de Paulo Afonso expõe um dilema recorrente napolítica brasileira, com candidatos que se elegem com discursos de renovação eética, mas que, ao assumir o poder, acabam reproduzindo os vícios quecriticavam. Para a população, o resultado é a frustração diante de expectativasnão cumpridas e a sensação de que a “nova história” prometida ainda nãocomeçou.

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