Geral Congresso

Congresso mete a mão no cofre e deixa governo de joelhos

Congresso mete a mão no cofre e deixa governo de joelhos

11/05/2026 07h59 Atualizada há 4 meses atrás
Por:
Congresso mete a mão no cofre e deixa governo de joelhos

O Brasil assiste a uma inversão de papéis que corrói aespinha dorsal da democracia. O Congresso Nacional, ao se apropriar doorçamento por meio das emendas parlamentares, transformou o que deveria ser uminstrumento de equilíbrio em uma arma de poder absoluto. Deputados e senadores,sob o pretexto de atender suas bases, passaram a controlar bilhões de reais,ditando prioridades e sufocando a autonomia do Executivo. O resultado é um paísonde quem manda não é o presidente da República, mas os chefes da Câmara e doSenado.

Esse modelo, apelidado de “parlamentarismo do dinheiro”,cria uma distorção brutal. O governo eleito pelo voto popular perde acapacidade de planejar políticas públicas de longo prazo, enquantoparlamentares distribuem recursos como se fossem donos de um caixa particular.O que deveria ser política de Estado vira moeda de troca, negociada emcorredores escuros e em reuniões que nunca chegam ao conhecimento da sociedade.O orçamento, que deveria ser instrumento de desenvolvimento, virou balcão denegócios.

A concentração de poder nas mãos de Hugo Motta e RodrigoPacheco é escandalosa. Eles decidem quem recebe, quanto recebe e em quemomento. O Executivo, reduzido a mero espectador, é obrigado a engolir acordospara não ver sua agenda paralisada. O país vive uma espécie de chantageminstitucional, sem a bênção dos presidentes das Casas, nada anda. É ademocracia sequestrada por quem controla o cofre.

As consequências são devastadoras. Projetos estruturantesficam sem verba, enquanto obras de impacto local, muitas vezes irrelevantes,recebem milhões. A lógica é simples, garantir votos e perpetuar poder. Ocidadão comum, que deveria ser o beneficiário final, é apenas figurante em umteatro onde os protagonistas são parlamentares ávidos por prestígio einfluência. O Brasil, nesse cenário, não avança; apenas gira em torno deinteresses paroquiais.

O escândalo das emendas parlamentares expõe uma verdadeincômoda, o Congresso não apenas legisla, mas governa sem ter sido eleito paraisso. O presidencialismo brasileiro foi mutilado, e o que resta é um sistemahíbrido, deformado, onde o dinheiro dita as regras. A democracia, jáfragilizada, sangra mais um golpe. O povo vota, mas quem manda é quem controlao orçamento. E o Brasil, nesse jogo perverso, paga a conta.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários