Jerônimo Rodrigues começa a disputa de 2026 muito à frente do ponto em que largou quatro anos atrás. Na primeira pesquisa Datafolha de 2022, aparecia com 16%, diante dos 54% de ACM Neto, conforme registrou a Folha de S.Paulo. Ainda precisava se apresentar aos baianos, construir uma identidade eleitoral e organizar sua base. Terminou eleito. Agora volta à disputa como governador, com a chapa definida, centenas de prefeitos aliados e uma rede política estendida pelos 27 Territórios de Identidade. O primeiro ganho é simples e precioso: tempo.
Esse novo patamar ganhou corpo no sábado (1º). Mais de 30 mil pessoas ocupavam o Parque de Exposições quando Lula subiu ao palco ao lado de Jerônimo. Prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e militantes haviam chegado de todas as regiões. Salvador foi o ponto de encontro. A mobilização começou muito antes, nos municípios.
Havia gente e delegações que enfrentaram trajetos de até mais de mil quilômetros. O interior chegou em peso.
Foram cerca de 300 prefeitos presentes. Cada gestor carrega relações com vice-prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e eleitores que acompanham de perto a política municipal. Esse apoio encurta a distância entre a chapa e a população, sobretudo nas pequenas cidades e nos distritos onde a presença física ainda vale mais que qualquer campanha feita pelas redes sociais.
Por trás do volume havia trabalho acumulado. Foram criados colegiados nos 27 Territórios de Identidade. O grupo também percorreu o estado com o Programa de Governo Participativo e promoveu um seminário eleitoral para candidatos e assessores. O PGP é uma metodologia de construção coletiva do plano de governo, baseada em escutas territoriais, plenárias regionais, consultas online e encontros com movimentos sociais, lideranças locais e população. A iniciativa organiza as demandas por território, sistematiza propostas e transforma as contribuições em diretrizes programáticas. Na prática, o PGP percorreu os 27 Territórios de Identidade, reunindo milhares de participantes e consolidando prioridades como saúde, infraestrutura, educação e desenvolvimento regional. O resultado é um programa mais alinhado às realidades locais e com maior legitimidade social, além de fortalecer a mobilização política da base governista. Com Lula na linha de frente nacional, Jerônimo no comando da chapa, Rui Costa e Jaques Wagner para o Senado e Geraldo Júnior na vice, a coligação majoritária Mais Bahia, Mais Brasil reúne PT, PCdoB, PV, PSD, MDB, PSB, Avante e PDT. As peças já estavam nos seus lugares quando a convenção abriu os portões.
É essa estrutura em funcionamento que muda o roteiro de 2026. As primeiras semanas da campanha poderão ser usadas para apresentar as entregas do governo, defender propostas para o próximo mandato e comparar projetos para a Bahia. Jerônimo já não precisa consumir um pedaço precioso da eleição explicando quem é ou correndo atrás de apoios que hoje estão no palco, nos municípios e nas ruas.
A capilaridade também dá velocidade. As demandas locais chegam mais rápido, a mensagem circula pelo interior e a reação política não precisa esperar por outro grande encontro em Salvador. Quando a campanha oficial começar, em 16 de agosto, o trabalho será transformar essa vantagem organizacional em voto. A engrenagem já tem partidos, lideranças municipais e presença territorial. No sábado, mostrou também que tem gente.
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