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A escalada milionária de ACM Neto

A ascensão financeira de ACM Neto reflete um padrão recorrente na elite política brasileira

07/08/2026 14h44
Por: Redação Fonte: Dimas Roque
Imagem criada por IA
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O patrimônio de ACM Neto cresceu mais de 100 vezes entre 2006 e 2026, saltando de R$ 820 mil para R$ 84,8 milhões, segundo dados do TSE. Embora tenha ocupado apenas cargos públicos nesse período, deputado federal e prefeito de Salvador, o aumento levanta dúvidas sobre a origem e a proporcionalidade desse enriquecimento.

Entre 2006 e 2026, Antônio Carlos Magalhães Neto construiu uma trajetória política sólida, mas cercada por questionamentos sobre o acúmulo de bens. Segundo o Portal DivulgaCandContas do TSE, o patrimônio declarado pelo político cresceu de R$ 820.561,1 em 2006 para R$ 84.888.809,63 em 2026, um aumento de mais de 10.000%. Nesse intervalo, ACM Neto foi deputado federal por três mandatos (2003–2015) e prefeito de Salvador por dois períodos (2013–2020). Desde então, atua como vice-presidente nacional do União Brasil, partido que surgiu da fusão entre DEM e PSL.


Durante seus anos como deputado, o salário bruto girava em torno de R$ 33 mil mensais, e como prefeito, cerca de R$ 25 mil. Mesmo considerando rendimentos acumulados e investimentos, o salto patrimonial é difícil de justificar apenas com remuneração pública. O político é herdeiro do grupo carlista, fundado por seu avô, o ex-governador Antônio Carlos Magalhães, e tem laços familiares com a Rede Bahia, conglomerado de mídia que pertence à família. Ainda assim, não há registros públicos de grandes empreendimentos pessoais que expliquem o crescimento exponencial de seus bens.

A ascensão financeira de ACM Neto reflete um padrão recorrente na elite política brasileira, o enriquecimento paralelo ao exercício do poder. Durante sua gestão na prefeitura, ele foi elogiado por eficiência administrativa e obras de infraestrutura, mas também criticado por manter relações próximas com empresários do setor imobiliário e da construção civil. O aumento de seu patrimônio coincide com o período de maior expansão imobiliária de Salvador, o que levanta suspeitas sobre possíveis ganhos indiretos.

Ministério Público da Bahia não registra investigações abertas contra o ex-prefeito por enriquecimento ilícito, mas especialistas em transparência pública apontam que a ausência de explicações detalhadas sobre a origem dos bens é um problema ético, ainda que não jurídico. Em 2026, ao declarar quase R$ 85 milhões, ACM Neto se tornou um dos políticos mais ricos do Nordeste. O contraste entre o discurso de “gestão técnica” e o acúmulo patrimonial reforça a necessidade de maior fiscalização sobre o uso de influência política para fins privados.

Com nova candidatura ao governo da Bahia, ACM Neto enfrenta o desafio de explicar ao eleitor como multiplicou sua fortuna em vinte anos de vida pública. O caso reacende o debate sobre transparência patrimonial e conflito de interesses no Brasil. A sociedade cobra respostas, de onde veio tanto dinheiro? O crescimento é fruto de investimentos legítimos ou de um sistema político que recompensa quem controla o poder?

Independentemente do desfecho eleitoral, o patrimônio de ACM Neto se tornou símbolo de uma questão maior, a distância entre o servidor público e o cidadão comum, que vê na política não um serviço, mas um caminho para enriquecimento. É um retrato incômodo de um país onde o poder, muitas vezes, vale mais que o trabalho.

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