Mas isso nos traz uma lição.
Andreas é um rapaz branco, classe média alta e que teve um triste destino, mas lendo as publicações de colegas e os comentários sobre o caso, percebemos uma empatia por ele. A mesma empatia que FALTA aos demais seres humanos que foram tragados pelo crack e julgados por uma sociedade que não tem o menor pudor em demonstrar total aversão aquelas criaturas, das quais não sabemos nenhuma história. Quem eram, o que faziam, o que os levou até lá. Maioria de pobres, negros, "gente descartável", que não merece nossa compaixão e nem nossa surpresa.
Parece Deus nos testando não?
Porque nos dói ver um rapaz branco de classe média entregue a essas circunstâncias - porque é realmente muito triste tudo isso - e ao mesmo tempo não temos o mesmo olhar para os demais "moradores" da Cracolândia, se sequer temos qualquer conhecimento sobre suas tragédias pessoais?
Fica a reflexão.
Uma resposta cabível é que com o branco e classe média - muitos se identificam. Enxergam nele um ser humano. Com os pobres e negros, a miséria é mais do mesmo - já não causa nenhuma perturbação, ao contrário - tem mais é que sumir com esses vagabundos pra mais longe o possível.
Todos deveriam ser igualmente olhados com compaixão - porém uns merecem mais do que outros. Esse é o melhor ou PIOR Raio X desse caos e de quem somos nós...
Desculpe o incômodo.
Por Tico Santa Cruz.