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Reúso de água no semiárido baiano é alternativa para agricultores familiares

Reúso de água no semiárido baiano é alternativa para agricultores familiares

20/03/2019 09h38 Atualizada há 7 anos atrás
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Reúso de água no semiárido baiano é alternativa para agricultores familiares


O uso sustentável da água é uma realidade para agricultoresfamiliares da comunidade de Canoa, no município de Juazeiro, no semiáridobaiano. No local, foi instalado uma tecnologia social conhecida como sistemabioágua, que reutiliza água de uso doméstico, que sai do chuveiro e das pias delavar pratos e roupas, para irrigar frutas e, principalmente, forragens para osanimais. 

A implantação desse sistema na comunidade, cuja irrigação éfeita por gotejamento, foi realizada pelo Instituto Regional da PequenaAgropecuária Apropriada (Irpaa), instituição conveniada com a Companhia deDesenvolvimento e Ação Regional (CAR), da Secretaria de Desenvolvimento Ruraldo Estado (SDR), para prestação de serviços de assistência técnica às famíliasda região, por meio do projeto Pró-Semiárido.

O agrônomo do Irpaa, Clérison Belém, explica o funcionamentodo sistema bioágua, que recebe as águas da casa e, passando por canos, caemprimeiro em uma caixa de gordura onde alguns resíduos são retidos; depois,passam para um filtro biológico (uma espécie de tanque composto por camadas depalha seca, areia, brita e seixo). Este serve para reter partículas e filtrar aágua que, em seguida, é canalizada e armazenada no tanque de reúso, parafinalmente irrigar as plantas.  Oagrônomo, que pesquisou o sistema no interior da Paraíba, diz que o bioáguareutiliza as chamadas 'águas cinzas', um potencial hídrico que era desperdiçadoe que agora ajuda a fortalecer a tradição das famílias do sertão em cultivarforragens e fruteiras.

Na propriedade da agricultora Elza Nogueira, o bioáguairriga meio hectare de palma que alimenta cabras, ovelhas e galinhas. “A águaque era perdida. [Agora] irriga bem a palma o tempo inteiro. Aí a gente nemprecisa comprar ração e ainda economiza (água) da cisterna”, afirmou aagricultora, que já pensa em ampliar a área de cultivo para irrigar tambémalgumas fruteiras que a família tem na propriedade.

Outro contemplado com um bioágua, o agricultor IremarNogueira, criador de cabras, está investindo também na criação de galinhas. Eledisse que, devido à seca, está irrigando suas forragens até três vezes porsemana para que a criação não sofra com a falta de alimento. “Isso tem sidominha sorte, porque com esse sol quente e sem chuva, eu tenho alimento para osbichos”, disse o criador, ao se referir ao bioágua como uma salvação para ocriatório que, no semiárido, representa a base da economia das famílias rurais.

Todas as famílias que receberão o sistema bioágua tambémserão contempladas com Quintais Produtivos (onde há produção diversificada, comcriação de pequenos animais, aves, caprinos, ovinos, porcos e o cultivo deplantas medicinais, frutíferas e hortaliças). A ação é realizada peloPró-Semiárido, projeto executado pela CAR, a partir de acordo de empréstimoentre o Governo da Bahia e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola(Fida).
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