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MST resiste e brigadas regionais param estradas federais contra despejo de famílias

MST resiste e brigadas regionais param estradas federais contra despejo de famílias

27/11/2019 10h48 Atualizada há 7 anos atrás
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MST resiste e brigadas regionais param estradas federais contra despejo de famílias


Membros de brigadas regionais na Bahia do Movimento dosTrabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reagiram ao ato considerado truculento dereintegração de posse na última segunda-feira (25) na região de Casa Nova eJuazeiro. Os sem-terra pararam estradas federais nesta terça-feira (26) emsolidariedade às mais de 700 famílias despejadas. Esses atos foram realizadosnas BR’s 101 e 324 “para fazer as vozes serem ouvidas e mostrar a resistênciafrente aos desmandos do governo de Bolsonaro”. De acordo com os dirigentesnacionais do MST, Evanildo Costa e Lucinéia Durães, o desfecho da sentença dedespejo foi uma decisão arbitrária do juiz Pablo Henrique Carneiro Baldivieso.Eles apontam que as famílias vivem na área há mais de sete anos produzindoalimentos sem agrotóxicos e gerando trabalho e renda para mais de 5 milpessoas.


“A indignação pelo ato ocorrido desencadeou um estado dealerta e uma sequência de manifestações e fechamento das principais BR’s comoforma de denunciar, protestar e apoiar as famílias despejadas no norte,sobretudo a exigência do cumprimento do acordo de 2008, firmado entre osgovernos federal e estadual e o movimento. Era para assentar de imediato milfamílias, sendo 600 em uma área de 13.463 hectares cedida pela Codevasf e 400famílias pelo Incra, do qual apenas 5.590 hectares foram entregues e assentadassomente 192 famílias. Nem a Codevasf cumpriu o acordo de disponibilizar a área,nem o Incra de assentar as famílias”, diz Evanildo. Ele afirma que nadajustifica a ação contra as famílias sem-terra. “Agiram de forma truculenta eviolenta, sem levar em consideração a presença das mulheres, crianças e idosos.Vários trabalhadores ficaram feridos e desaparecidos, inclusive crianças”.

Nesse processo e com o não cumprimento do acordo, asfamílias retornaram para o local em 2012, depois de terem cumprindo, antes doprazo de 60 dias, a desocupação da área em litígio. “Do acordo só foramassentadas 192 famílias em três áreas distintas no município de Sobradinho.Ficando as 808 famílias que não foram contempladas a espera de novas áreas. Aolongo dos sete anos houve inúmeras denúncias por parte dos trabalhadores ruraisaos órgãos competentes, além de audiências públicas, carta aberta, ouvidoriaagrária, Incra, Ministério do Desenvolvimento, Ministério Público emanifestações públicas, mas não houve em momento algum um posicionamento deresposta”, sintetiza Lucinéia, a popular Liu do MST.

O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) defende omovimento e diz que se solidariza também com a situação. Ele diz “que em nenhummomento houve resistência em desocupar essas áreas desde que o acordo firmadoem 2008 fosse cumprido” pela Codevasf e Incra, municípios e estado. “Ouve umposicionamento do Ministério Público e da Defensoria Pública em não terreintegração de posse das áreas sem antes o cumprimento dos acordos em suatotalidade. Vamos atuar para reverter essa situação e as famílias continuarem aproduzir e viver em paz”, completa Valmir.
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