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De estudante a modelo: conheça a garota BCS 2019

De estudante a modelo: conheça a garota BCS 2019

13/12/2019 07h45 Atualizada há 7 anos atrás
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De estudante a modelo: conheça a garota BCS 2019


Lorena Lopes de Oliveira, 21 anos, moradora do bairrodo Calabar, ganhou o primeiro lugar no concurso realizado na última terça-feira(10).

Quando subiu no palco pela primeira vez, em outubro desteano, durante a primeira seletiva do Concurso Garota Base Comunitária deSegurança (BCS), Lorena Lopes de Oliveira, 21 anos, nem imaginava que ali novasoportunidades surgiriam para sua vida. Moradora do bairro do Calabar, emSalvador, a jovem, aluna do projeto Meraki Models, oferecido pela BCS dalocalidade, ganhou primeiro lugar na edição 2019, realizada na última terça-feira(10).


Para atuar como modelo, sonho que lhe acompanha desde oscinco anos, Lorena, filha única, diz ter passado por diversas barreiras. Desdeos inúmeros 'nãos', até os olhares e julgamentos preconceituosos vivenciados emambientes de seleções. O pontapé inicial para a realização deste objetivoocorreu há aproximadamente seis meses, quando decidiu se inscrever no curso daBCS do Calabar.

Com a participação no evento, a estudante do 5º semestre docurso de enfermagem, além ganhar como prêmio uma bolsa de estudos EAD dePublicidade e Propaganda, já recebeu propostas de quatro empresas que trabalhamcom books fotográficos. “Os policiais da base estão me ajudando a pesquisarsobre essas empresas para saber se realmente são de confiança. Mas estou muitofeliz em saber que depois de tanto tempo estou começando a realizar mais umsonho”.

Ela conta que sempre quis ser modelo, mas as oportunidadesnão surgiam. Há seis meses decidiu matricular-se no curso da base. Durante esseperíodo de aulas e com o incentivo da capitã Aline e da professora Jucimara,resolveu participar do concurso. “Foi aí que tudo começou a mudar. As aulas meajudaram a perder a timidez e, finalmente, me senti encorajada para concorrer”,lembrou.

Sobre os principais obstáculos enfrentados durante atrajetória ela cita o preconceito como o principal empecilho. Mas enfatiza quesempre teve a presença do empoderamento materno, fator esse que colaborou paraser quem é hoje. A segurança nas palavras mostram como a estudante édeterminada, emponderada, corajosa, certa do que deseja para vida e, acima detudo, orgulhosa do que é e, principalmente, de suas origens.

“Eu chegava em locais e eu via pessoas me olhando como seaquele lugar também não fosse para mim: negra, cabelo crespo. Por consequênciadisso, alisei meu cabelo. Depois optei colocar tranças para fazer transição e,com incentivo dos policiais da base, decidi voltar a usá-lo como ele é: crespo,mas desta vez curtinho. No início fiquei com medo do novo corte, mas foramtantas pessoas me elogiando aqui na comunidade que isso me deixou tãomotivada”.

Toda a força para lutar contra os entraves da vida, segundoela, vem da mãe, que sempre ensinou a ser forte, a enfrentar o preconceito decabeça erguida, de frente. “E isso é tudo, porque eu sei que nem todas garotastêm a oportunidade de ter essa pessoa que eu tenho em casa”, completou.

As passarelas, os estúdios fotográficos e toda a área damoda são encantos declarados por Lorena, mas o amor e a vocação pelaenfermagem, curso escolhido por ter a mãe como inspiração, faz com que ela vejae tenha os estudos como principal prioridade.

Segundo Lorena, ela continuará focada na faculdade,independente da carreira como modelo alavancar ou não. Porque desde criançapresenciou a mãe cuidar de pessoas doentes no ambiente familiar, e isso fez comque surgisse o amor por essa profissão.

Sobre as expectativas em relação as novas oportunidades, ajovem diz que fará delas uma forma de ajudar a família. “Tudo que mais quero édar uma vida melhor para eles. Minha mãe merece muito. Vou lutar por isso, sejacomo modelo ou não”.

O corpo esbelto sempre foi uma das suas principaiscaracterísticas físicas. Conforme dito pela modelo de 1,80 cm de altura,hambúrguer, refrigerante e tantos outros lanches calóricos sempre fizeram parteda sua vida, tanto na infância, quanto na adolescência. Entretanto, com adecisão em participar do concurso, o cardápio precisou mudar e ela, além deabdicar desses lanches, teve que incluir frutas, legumes, verduras e atividadesfísicas na rotina.

Uma das incentivadoras da modelo, a comandante da BCS doCalabar, capitã Aline Muniz, diz se sentir orgulhosa por perceber que a unidadetem sido intermediária na realização de sonhos. “Esse é mais um caso que nosmostra o quanto nosso trabalho é um diferencial na vida dessas pessoas. Cadavez que percebemos os nossos esforços surtindo efeito, a gente se emociona e sefortalece para buscar novos parceiros e idealizar novos projetos”, finalizou.
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