A pandemia do coronavírus tem servido para mostrar, de formadevastadora, a inutilidade absoluta das religiões, ao mesmo tempo que reforça aúnica crença possível, em meio ao desespero social: um Estado forte esolidário, única força capaz de garantir a sobrevivência da humanidade.
A proibição de realização de cultos religiosos não é somenteuma atitude sanitária correta e providencial. É o reconhecimento de que não hásalvação em ritos, milagres e orações. Somente a ciência é capaz de nos dar asarmas e as ferramentas para seguir adiante - a mesma ciência que, no Brasil,passou a ser atacada por um governo de dementes controlado, em grande parte,por fanáticos religiosos e mercenários da fé (e da ignorância) alheia.
Os defensores das teses de Estado mínimo e os aventureirosdas reformas que, hoje, levam o Brasil ao fundo do poço social, se deram conta,apavorados, que estavam cavando a própria cova.
Bastou o cagaço de uma epidemia para a classe médiabrasileira - reacionária, iletrada e, principalmente, apavorada - choramingaratrás do Sistema Único de Saúde. O mesmo SUS que, desde o golpe de 2016, olobby dos planos de saúde tenta desmontar e destruir, impiedosamente.
Diante do desastre sanitário que se anuncia, as discussõessobre reformas e privatizações se tornaram inócuas, anacrônicas e ridículas.
O Brasil precisa se voltar, outra vez, para o fortalecimentode políticas públicas de assistência social e distribuição de renda.
Precisa revogar a emenda constitucional 95, aprovada nogoverno golpista e criminoso de Michel Temer, que congelou investimentospúblicos por 20 anos.
E precisa se livrar, antes que seja tarde, de Bolsonaro esua trupe de mentecaptos.