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Quatro semanas para esmagar a curva

Quatro semanas para esmagar a curva

30/04/2020 08h44 Atualizada há 6 anos atrás
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Quatro semanas para esmagar a curva

A pandemia de COVID-19 é um evento dinâmico e de longo prazoque exigirá um desenvolvimento quase constante de estratégias proativas parasolução de problemas.

A medicina moderna tem muito, mas muito pouco, a oferecercomo tratamento específico. A necessidade de contratação de pessoalespecializado, aquisição de equipamentos – principalmente ventiladorespulmonares – e a montagem de uma cadeia confiável de suprimentos, conspiramcontra os esforços para estruturação de uma rede de atendimento adequada. Comovamos lidar com os milhares de pacientes que precisarão de cuidados?

Primeiro, precisamos trabalhar para garantir que asintervenções baseadas na população – incluindo ações de distanciamento social,quarentena e isolamento – sejam tomadas com rapidez e prudência. Segundo,podemos usar os fundamentos estabelecidos pela ciência para guiar estratégiasde intervenção.

Sob a liderança do Governador Rui Costa, estabelecemos umaCentral de Comando e Controle da Saúde. Utilizando princípios bem desenvolvidosde planejamento de ações para gerenciamento de crises, expandimos drasticamenteo acesso aos testes diagnósticos por meio do fortalecimento do LaboratórioCentral de Saúde Pública (LACEN). Ampliamos e descentralizamos a oferta deexames de biologia molecular (RT-PCR, padrão ouro) para garantir aclassificação adequada de pacientes internados.

Paralelamente, elaboramos um plano para acrescentar mais de1 mil novos leitos hospitalares, exclusivos para Covid-19. Para otimizar aeficiência do atendimento e das transferências via central de regulação, vintee cinco Centrais Regionais de Triagem foram abertas em todo o estado.

A proteção dos profissionais de saúde também é essencial.Não enviaríamos soldados para a batalha sem coletes balísticos. Para tanto,estamos sendo estratégicos em nossos planos para o uso de EPIs e considerandoalternativas extraordinárias, incluindo o emprego de máscaras de tecido, parauso generalizado da população. Montamos um programa de testagem universal paraprofissionais de saúde, oferecendo RT-PCR em coleta rápida, padrão“drive-through”, para identificar aqueles profissionais assintomáticos carreadoresdo vírus.

Nosso platô de crescimento só será atingido entre meados dejunho e julho. Não é possível continuar crescendo a taxas diárias superiores a8%. Precisamos inspirar e mobilizar o público para aderir às medidaspreconizadas, imediatamente. Nesse esforço total, todos têm um papel adesempenhar e praticamente todos estão dispostos.

O objetivo não é achatar a curva; o objetivo é esmagar acurva. E com inteligência suficiente poderemos em breve começar a reativar aeconomia, sem colocar vidas adicionais em risco.

Por: Fábio Vilas-Boas - Doutor em Ciências e SecretárioEstadual da Saúde.

Artigo publicado no jornal A Tarde, em 30 de abril de 2020.

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